Medicina personalizada ainda não chega a tempo a pacientes

Tratamento personalizado para cada paciente gera melhores resultados

Tratamento personalizado para cada paciente gera melhores resultados
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Conhecer os dados genômicos e clínicos dos pacientes foi um passo crucial para avançar na medicina personalizada, mas a grande barreira é que esta informação ainda não chega a tempo aos pacientes que mais precisam dos tratamentos, segundo especialistas presentes nesta terça-feira (2) ao Roche Press Day, fórum anual de educação em jornalismo científico e de saúde realizado nesta semana em São Paulo.

Durante a abertura do evento, Claudio Ferrari, diretor de Estratégia e Inovação no Grupo Oncologia D’Or, afirmou que, embora hoje se tenha maior conhecimento de doenças como o câncer e os tratamentos sejam feitos de maneira mais inteligente, nem todos conseguem recebê-los.

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“Infelizmente os tratamentos são utilizados tarde demais, são a última oportunidade para o paciente, e muitas vezes eles já não estão em condições físicas para responder a tais tratamentos”, lamentou.

Ferrari afirmou ainda que, atualmente, os pacientes não devem receber o mesmo tratamento para a mesma doença, já que se sabe que muitas vezes não respondem da mesma forma.

Por isso, de acordo com ele, é necessário fazer uma abordagem direcionada, o que já é possível, mas de forma limitada.

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Gerente médica do Grupo Roche na Argentina, Clara Horsburgh ressaltou que o conhecimento de doenças como o câncer permitiu que fossem descobertas as complexidades que dificultam o tratamento, e isso levou a que hoje existam tratamentos como a imunoterapia, que oferece uma maior sobrevida do que outros como a quimioterapia e a radioterapia.

Já Patrick Eckert, gerente geral da Roche no Brasil, disse que atualmente se vive “um momento crucial sem precedentes, onde o conhecimento médico e a ciência de dados têm um papel fundamental”.

Eckert explicou que isso fez com que hoje sejam utilizados os tratamentos corretos no paciente adequado, e isso mudou a forma com a qual as pessoas e os profissionais médicos enfrentam doenças como o câncer de pulmão ou de mama.

Assim, enquanto antes um paciente diagnosticado com câncer de mama vivia por 12 meses após o diagnóstico, hoje o tempo de sobrevida chega a cinco anos.

“É uma evolução importante, porque hoje há pesquisas dirigidas a entender as mutações genéticas dos tumores”, declarou Horsburgh.

No entanto, a especialista afirmou que se chegou a um “teto”, no qual se abre a necessidade de incorporar as novas tecnologias ao sistema de saúde.

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“Estamos diante de uma grande quantidade de dados, temos enormes volumes de dados clínicos, mas também de estudos clínicos, dispositivos tecnológicos, balanças que medem a superfície corporal – o IMC – e, pela primeira vez, temos também a tecnologia para analisá-los”, destacou.

Essas informações, segundo ela, em muitos casos permitem aos pacientes ter um tratamento mais personalizado e, portanto, com mais possibilidades de que funcione.

No entanto, Horsburgh lamentou que, devido aos altos custos e às inequidades, a inovação dificilmente chegue aos pacientes.

“Os sistemas de saúde na América Latina não estão preparados para suportar isso e não se sensibilizaram para que o foco seja o paciente, mas o processo”, analisou.

É por isso que, de acordo com ela, é necessário reformar os sistemas de saúde focados nos pacientes, embora a tarefa seja enorme, já que precisa de muitos agentes”.

Já Carolina Kawamura, médica oncologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirmou que é necessária uma mudança de cultura nas instituições, mas que ela não é simples.

“É preciso ter pesquisa clínica para que tenhamos avanços no conhecimento da medicina, isso é fundamental”, frisou.

Lenio Alvarenga, diretor médico da Roche Farma Brasil, ressaltou que a companhia trabalhou em bancos de pesquisa e, inclusive, que ela investe 20% de seu faturamento global em inovação.

“O mais importante é não pensar na ciência como algo puramente biológico, mas no paciente, que esse seja o fim único”, declarou.