Maria Alcina dá voz a samba de Baiano & Os Novos Caetanos sobre delação nos anos 1970


Cantora lança single com regravação de ‘Vô batê pá tu’, música de 1974 que Daniela Mercury pôs na pista em 2004. ♪ Em 1974, ano em que a cantora Maria Alcina lançou o segundo álbum, a dupla Baiano & Os Novos Caetanos saltou da tela da TV – onde surgira como atração de Chico City, programa de humor apresentado por Chico Anysio (1931 – 2012) na TV Globo – para o disco.
Formada por Chico Anysio com o ator, cantor e compositor Arnaud Rodrigues (1942 – 2010) para satirizar Caetano Veloso, Gilberto Gil e o grupo Novos Baianos, em deboche extensivo à toda a turma da MPB identificada com os artistas baianos, a dupla emplacou de cara um grande sucesso, Vô batê pá tu, no primeiro dos quatro álbuns que lançou entre 1974 e 1985.
Samba-rock composto com melodia do cantor e compositor Orlandivo (1937 – 2017) e letra de Arnaud Rodrigues, Vô batê pá tu versou com descontração e em tom lúdico sobre delação, tema sério naqueles sombrios anos 1970 em que supostos dedo-duros, como o cantor Wilson Simonal (1938 – 2000), eram inapelavelmente “cancelados” e condenados no tribunal popular. A propósito, a letra de Vô batê pá tu alude ao caso de Simonal sem citar nominalmente o cantor carioca, amigo de Chico Anysio.
Intérprete de canto exuberante, Maria Alcina se conecta com esse sucesso de 1974 – música que, atravessando gerações, ainda anima pistas de dança, inclusive fora do Brasil – e reapresenta Vô batê pá tu em single produzido por Thiago Marques Luiz e programado para ser lançado na sexta-feira, 26 de junho, com capa que expõe arte criada por Leandro Arraes sobre fotos de Murilo Alvesso.
Capa do single ‘Vô batê pá tu’, de Maria Alcina
Murilo Alvesso com arte de Leandro Arraes
Na gravação de Alcina, arranjada pelo guitarrista Rovilson Pascoal, o samba-rock vira samba de toque nordestino acentuado pelo acordeom de Ricardo Prado. O baixista André Bedurê, o baterista Gustavo Souza e a percussionista Michele Abu também tocaram na regravação de Vô batê pá tu.
Cabe lembrar que quem descobriu a vocação da pegada lúdica de Vô batê pá tu para a pista de dança foi o DJ Zé Pedro. Quando preparava o segundo disco de remixes, Quero dizer a que vim (2005), o DJ reciclou a gravação de 1974 com uma base de drum’n’bass que chamou a atenção de Daniela Mercury quando a cantora ouviu o remix antes mesmo do DJ lançar o CD.
Apostando na batida e na música, a cantora solicitou a Zé Pedro o uso dessa base drum’n’bass do remix do DJ e regravou a composição, turbinando Vô batê pá tu em fonograma incluído no álbum Carnaval eletrônico (2004), gravado por Daniela com a intenção de levar a linguagem da axé music para as pistas de dança e, na rota inversa, trazer os beats para os trios elétricos.
Lançado 30 anos após a gravação original da dupla Baiano & Os Novos Caetanos, o remix de Vô batê pá tu do disco de Daniela Mercury ainda reverbera. Tanto que, em live feita com o DJ Zé Pedro em 19 de maio, a cantora reviveu Vô batê pá tu sobre a base do disco de 2004.
É essa música que, em tempos de delação premiada, Maria Alcina tenta recolocar na pista a partir desta semana com a edição do single Vô batê pá tu.