Márcio Greyck mantém os pés no chão e o coração nas nuvens no primeiro álbum de músicas inéditas em 34 anos


Popular na década de 1970, o cantor e compositor mineiro lança o romântico disco ‘Envolver’, cuja safra autoral destaca parcerias com Carlos Colla e Zeca Baleiro. Capa do álbum ‘Envolver’, de Márcio Greyck
Divulgação
Resenha de álbum
Título: Envolver
Artista: Márcio Greyck
Edição: Discobertas
Cotação: * * * 1/2
♪ Com 11 músicas inéditas entre 13 faixas, o álbum autoral lançado por Márcio Greyck em 1º de setembro, Envolver, é o primeiro disco do artista com repertório essencialmente novo desde Pés no chão e coração nas nuvens (1987), LP lançado há 34 anos.
A safra autoral de Greyck em 2021 é boa, ainda que inexista em Envolver uma música do quilate da balada Impossível acreditar que perdi você (1970) – hit blockbuster que alavancou a carreira iniciada pelo cantor em 1967 – ou mesmo da canção Vivendo por viver (1978), apresentada na voz de Roberto Carlos.
Essas duas parcerias de Márcio Pereira Leite – o Greyck é sobrenome artístico – com o irmão Carlos Alberto Pereira Leite (creditado nas composições como Cobel) são exemplos da habilidade do cantor e compositor mineiro para transitar com desenvoltura pelo terreno da geralmente sofrida canção popular romântica.
Nessa seara sentimental, sobressaem no disco duas melodiosas parcerias de Greyck com o compositor Carlos Colla, fornecedor de repertório para Roberto Carlos nos anos 1970 e 1980 em parceria com Maurício Duboc.
Amor infinito celebra a paixão com alegria e ternura. Meu lalalarai vê luz no fim da sofrência com o mesmo toque country perceptível em Setembro.
Setembro é parceria de Márcio com Bruno Miguel, como corretamente creditado no encarte que reproduz as letras das músicas e apresenta texto de Maurício Gouvêa sobre o disco.
Já na contracapa da edição em CD do álbum, produzida pelo selo Discobertas com tiragem de 500 cópias, a música Setembro é erroneamente creditada como sendo de Márcio com o filho, Rafael Greyck, parceiro efetivo do pai em Olhando nos seus olhos, canção fluente de refrão aliciante, trunfo de outras músicas do disco.
Entre incursões românticas pelo blues em Ao som de um velho blues, pelo ragtime em Pra fazer ela voltar e pelo rock rural em Espelhos dos meus sonhos e Velas ao vento (quatro músicas assinadas somente por Márcio Greyck), o compositor abre parceria com Zeca Baleiro em Sábado de chuva e sol, destaque da safra inédita do álbum Envolver, inclusive pelo arranjo vintage que evoca o pop dos anos 1960.
Parceiro de primeira hora, o irmão Cobel figura nos créditos de três das 13 músicas do álbum Envolver, mas somente uma, Sabe de uma coisa? (Novo sonho), é inédita.
Até quando foi lançada por Erasmo Carlos há 29 anos no álbum Homem de rua (1992). Já Nada realmente existe do que eu quis é música apresentada pelo próprio Márcio Greyck em single quádruplo – compacto duplo, no jargão fonográfico brasileiro na era do vinil – editado em 1973 e impulsionado pela canção Infinito (L’infinito, Giancarlo Bigazzi e Toto Savio em versão em português de Fernando Adour, 1973).
Aos 74 anos, Márcio Greyck mostra fidelidade a si mesmo em Envolver, álbum gravado na pandemia de 2020 / 2021 com produção solitariamente orquestrada pelo artista, que toca todos os instrumentos no disco.
Em essência, sem querer impressionar novas gerações com músicas como Seu olhar, parceria com Ari de Assis, Márcio Greyck continua com os pés no chão e com o romântico coração sonhador nas nuvens.