Mais de 500 árvores foram cortadas devido à praga que atinge plantio de cacau e cupuaçu no interior do AC


Força tarefa coordenada pelo Mapa tem feito monitoramento nas áreas de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima desde julho deste ano. Mais de 500 árvores foram cortadas devido à praga que atinge plantio de cacau e cupuaçu no interior do AC
Erisney Mesquita/Secom
Desde que começaram os trabalhos contra os focos de monilíase, uma praga que atinge plantações de cacau e cupuaçu em Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, mais de 580 árvores já foram cortadas no interior do Acre. A informação é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que coordena as ações na região.
Após a identificação da praga pela primeira vez no Brasil no município de Cruzeiro do Sul em julho deste ano, equipes Mapa e do Instituto de Defesa e Agropecuária do Acre (Idaf-AC) iniciaram o trabalho de fiscalização e orientação a produtores desses frutos. No dia 5 de agosto, o Mapa declarou o estado do Acre como “área sob quarentena”.
A monilíase do cacaueiro é uma doença que causa danos diretos, porque o ataque do fungo é exatamente no fruto, que é a parte comercial, tanto do cacau quanto do cupuaçu. O fungo não causa danos à saúde humana, segundo estudos, mas traz graves riscos econômicos.
Conforme o Mapa, inicialmente, foram feitas visitas em casas de Cruzeiro do Sul que tinham pés de cacau e cupuaçu, sendo que em duas casas foram identificadas plantas com monilíase. Na cidade, foram cortadas cerca de 80 árvores infectadas.
Em agosto, as equipes percorreram bairros de Mâncio Lima, ao longo da rodovia AC-105, onde foram identificadas muitas plantas com sintomas da praga. Por este motivo, a região foi considerada “foco principal” e passou por medidas fitossanitárias, como:
aplicação de produto detergente nas plantas para limpeza dos esporos,
poda ou corte das plantas hospedeiras,
coleta e enterro de todos os frutos.
Conforme o Mapa, foram visitadas mais de 300 propriedades na região de Mâncio Lima, com apoio da população para a aplicação das medidas, sendo que mais de 500 plantas foram cortadas.
O órgão informou que as equipes da força-tarefa trabalham inicialmente com a abordagem educativa junto aos moradores, repassando informações sobre os riscos econômicos para os estados produtores de cacau, bem como a responsabilidade do Acre na prevenção e controle da doença.
“Destacamos que a melhor forma de erradicar esta praga é a eliminação das plantas hospedeiras. Esta praga produz esporos microscópicos em grande intensidade, cuja aparência remete a um ‘pó de cor creme ou branca’, com extrema facilidade de serem espalhados pelo vento a grandes distâncias. Se não houver plantas hospedeiras o fungo não conseguirá sobreviver na região e com isso o foco vai diminuir até ser eliminado totalmente. Esta ação tem grandes chances de sucesso pelo fato da praga estar restrita à área urbana dos dois municípios”, informou o Mapa em nota.
Em Cruzeiro do Sul, MS e Idaf fazem barreira no aeroporto para evitar entrada da moliníase
Barreiras sanitárias
O Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul passou a ter uma barreira sanitária com inspeção de bagagens para evitar a saída da praga que atinge plantações de cacau e cupuaçu. A fiscalização é feita por equipes do Idaf e do Mapa.
À Rede Amazônica Acre, o coordenador de Educação Sanitária Vegetal do Idaf, Samuel Almeida, explicou que a ideia é impedir que o fungo se dissemine para outros municípios acreanos e estado da federação.
“Todos aqueles que forem se deslocar saindo de Cruzeiro do Sul vão passar por uma inspeção de bagagem para saber se estão levando fruto de cacau e cupuaçu e outras espécies nativas que também são hospedeiros da monilíase. Os frutos de cacau e cupuaçu estão impedidos de serem transportados porque mesmo com a aparência saudável podem estar infectados pela monilíase”, destacou.
Também em agosto, relatório das equipes do Idaf e do Mapa apontaram que, possivelmente, o fungo pode ter chegado ao estado pelo Peru. A suspeita é de que pessoas que carregavam material contaminado trouxeram o fungo para o Acre.
Praga que atinge plantio de cacau e cupuaçu é monitorada no AC
Mapa/Divulgação
O Idaf e o Mapa também montaram uma barreira de inspeção, semelhante a que tem no aeroporto, na BR-364, na região do Rio Liberdade, para evitar a saída dos frutos nos veículos.
O representante do Mapa e coordenador da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Marcelo Maziero, destacou a importância de não deixar a praga chegar a grandes produções dos frutos em outros estados.
“Uma vez chegando nas regiões produtoras, como o Sul da Bahia, Pará e até mesmo Rondônia, que são grande exportadores do cacau, isso vai ser prejudicial e uma vez a praga aparecendo nesses locais certamente o pessoal fecha a importação do produto. Para o país isso é bem penoso. Barrando as exportações geral desemprego, falta de renda para o produtor. É bem prejudicial”, complementou.
Descoberta
Um morador de Cruzeiro do Sul percebeu a doença nas frutas e acionou o Idaf no dia 21 de junho. No dia seguinte, um servidor do instituto esteve no local para verificação e foram enviadas amostras para análise.
O laudo oficial do laboratório com a confirmação da praga foi emitido no último dia 7 de julho. Após a descoberta do foco, equipe do governo federal foi mobilizada para fazer o trabalho de monitoramento no estado.
Equipes monitoram quatro propriedades de Mâncio Lima e duas de Cruzeiro do Sul
Erisney Mesquita/Secom
Até então, o fungo já havia sido encontrado em todos os países produtores de cacau da América Latina, exceto o Brasil. Para evitar a proliferação do fungo, os moradores estão recebendo visita das equipes e orientações.
Entre as orientações estão, no caso de suspeita, manter a área isolada, e passar um produto na planta para matar a praga. Já na área onde não há suspeita, as equipes mostram como é a doença para que a pessoa fique alerta e, por fim, orientam que a área seja mantida limpa.
Os produtores acreanos começaram a ser alertados sobre a praga em 2018. O Idaf fez campanhas de alerta e orientações. Na época, a engenheira agrônoma do Idaf, Lidiane Amorim, explicou que o “Acre era considerado como alto risco para a entrada dessa doença, porque faz fronteira com esses países”.
Em 2019, servidores do instituto visitaram comunidades rurais de Cruzeiro do Sul para orientar os produtores sobre a monilíase. Na oportunidade, foram cadastrados mais de 2 mil propriedades produtoras de cupuaçu e cacau.
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