Madeireiros são alvos de operação da PF que apura desmatamento ilegal e invasão de terras indígenas de RO


Segundo as investigações, o grupo criminoso pode ter colocado em risco comunidades indígenas com a possível exposição a Covid-19. Além disso, o dano ambiental contabilizado passa dos R$ 50 milhões, gerados a partir da retirada ilegal de madeiras nobres. Madeiras apreendidas durante Operação Êxodo em Rondônia
PF/Divulgação
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (8), a Operação Êxodo para prender integrantes de uma organização criminosa responsável pela exploração ilegal de madeiras de Terras Indígenas, principalmente na Terra Tubarão-Latundê, no município de Chupinguaia (RO).
Além do combate à extração ilegal de madeira a operação tem como objetivo preservar as comunidades indígenas que tiveram suas casas ameaçadas e ainda sofreram risco de contágio pelo novo coronavírus.
Serão cumpridos sete mandados de prisão temporária e 32 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 3ª Vara da Justiça Federal em Porto Velho. Cerca de 90 policiais federais atuam na operação que se estende a várias cidades de Rondônia, incluindo: Vilhena, Chupinguaia, Espigão do Oeste, Ji-Paraná, Cacoal, Colorado do Oeste e Pimenta Bueno.
Até o momento, o dano ambiental contabilizado passa dos R$ 50 milhões, gerados a partir da retirada ilegal de madeiras nobres, resultado do desmatamento mais de aproximadamente 4 mil hectares de áreas indígenas.
No final da manhã desta quarta (8), a PF informou que foi preso um ex-servidor público federal que já havia sido investigado por corrupção.
Madeiras apreendidas durante Operação Êxodo em Rondônia
PF/Divulgação
Em paralelo, de acordo com informações da PF, acontece uma ação junto à Operação Verde Brasil 2, com participação da Polícia Militar, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Fundação Nacional do Índio (Funai), que realizam incursão na Terra Indígena Tubarão-Latundê para identificar as áreas destruídas pelos criminosos, assim como para dar cumprimento a mandados de prisão.
Durante as investigações, foram constatadas fraudes “que buscavam dar aparência lícita aos produtos florestais explorados ilegalmente, realizando, além do desmatamento das áreas de preservação, diversos outros crimes como inserção de dados falsos em sistemas, falsidade ideológica e lavagem de capitais”.
No esquema criminoso foram usadas empresas madeireiras, na maioria constituídas em nomes de “laranjas”, que utilizavam créditos falsos nos sistemas do Ibama para a comercialização dos produtos.
Os presos, após interrogados na sede da Polícia Federal, devem ser encaminhados à presídios estaduais, e responderão, na medida de sua participação, pelos crimes de organização criminosa, extração ilegal de madeira, falsidade ideológica, inserção de dados falsos e lavagem de dinheiro.
A Operação Êxodo recebeu este nome em referência à prática dos criminosos de migrar de uma Terra Indígena para outra, durante a exploração das madeiras, de modo a dificultar a sua identificação e combate pelos órgãos responsáveis pela proteção ambiental.