‘Lost’, ‘Game of Thrones’, ‘Office’, ‘Modern Family’: as 15 séries mais marcantes em 15 anos de G1


G1 completa uma década no ar neste sábado (18). VÍDEO resume quais foram as principais séries desde 2006, uma por ano. G1 15 anos: As 15 séries que mais se destacaram na TV
Não foi fácil resumir 15 anos de séries em um mero top 15. No vídeo acima e na lista abaixo, o G1 mostra a evolução dos seriados internacionais.
Como fomos dos clássicos que mudaram a forma de ver TV (“Família Soprano”, “Lost”) às narrativas recentes com o talento e a franqueza de jovens autoras (“Fleabag”, “I May Destroy You”)? E o que dizer da força de fenômenos como “Modern Family”, “Game of Thrones” e “La Casa de Papel”?
O G1 completa uma década no ar neste sábado (18). Para celebrar o aniversário do portal de notícias da Globo, a editoria de Pop & Arte publica nesta semana vídeos e listas com as séries, músicas, filmes e novelas mais importantes desde 2006.
2006: ‘Lost’
Foto da primeira temporada de ‘Lost’
Divulgação
Você acha que o Brasil é polarizado hoje? É porque você talvez não se lembre como era na época de “Lost”.O mundo todo se dividia entre quem amou e quem detestou o final da série, mas nem sempre houve essa cisão. Teve gente, por exemplo, que amou a série nas primeiras temporadas, mas detestou o final.
Era fascinante acompanhar a vida dos sobreviventes da queda do avião naquela ilha. Eram ótimos personagens, grandes mistérios… A série foi um marco também, porque a história extrapolava os episódios na TV. Foi a primeira vez em que uma série movimentou com força também a internet: sites criavam teorias mil sobre o que estava acontecendo e tentavam desvendar cada mínima pista que aparecesse na série. Eram os tais “easter eggs”.
Talvez por isso o final tenha causado frustração em tanta gente. Mas, gostando ou não do que a série virou, foi um privilégio ter feito parte desse momento histórico da TV.
2007: ‘Família Soprano’
Família Soprano
Divulgação/HBO
É meio clichê escrever isso, mas “Família Soprano” é a série que deu início à era de ouro da TV. Depois dela, a TV nunca mais foi a mesma… e ainda bem. Só melhorou.
“Sopranos” deu adeus em 2007 com uma cena final que até hoje é discutida por aí e simplesmente mudou o jeito de se fazer televisão, mudou o status das séries. Ela mostrou ser possível fazer arte na TV.
Ainda lançou a moda de ter anti-heróis como protagonistas. Tony Soprano, o mafioso com ataques de pânico vivido por James Gandolfini (1961-2013), era tudo menos uma pessoa bacana. Matava gente, traía a mulher, era bem desagradável. E mesmo assim a gente amou Tony Soprano por seis temporadas
2008: ‘The Wire’
Cena da primeira temporada de The Wire
Divulgação
“The Wire” talvez seja a série de drama mais impactante já feita. Principalmente, porque ela usa muito bem a narrativa em formato seriado. As tramas e personagens vão crescendo episódio a episódio. Você nunca tem a impressão de que está vendo um filme gigante.
“A escuta”, como foi rebatizada no Brasil, teve cinco temporadas na HBO, entre 2008 e 2013. O showrunner é o ex-repórter policial David Simon, que depois também fez as ótimas “The Deuce” e “The Plot Against America”.
Cada uma das temporadas de “The Wire” tem núcleos, temas e cenários diferentes, mas em comum há a relação entre policiais e traficantes de drogas em Baltimore, nos Estados Unidos. Esses dois grupos são misturados a outros, como estivadores, jornalistas, alunos e professores de uma escola pública. É uma série sobre a relação complexa entre várias instituições e como é foda fazer parte disso né. Essa sensação de se ver preso em uma teia de burocracia e corrupção é muito bem passada.
2009: ‘Modern Family’
Claire (Julie Bowen) e Jay (Ty Burrell) vivem um dos três núcleos de ‘Modern family’
Divulgação
“Modern Family” é a série de comédia mais mainstream aqui desta lista. Ela representa 2009, o ano da estreia. Ficou onze temporadas no ar, com um começo incrível, mas depois deu uma caída, o que é natural para uma série que durou tanto.
Em formato de um documentário fake, em que os personagens às vezes conversam com a câmera, a comédia seguiu a rotina de três famílias ligadas entre si. Quase todos os 250 episódios têm algum falha de comunicação gerado por algum perrengue com internet, redes sociais ou aparatos da vida moderna em geral…
Um episódio clássico é aquele todo contado com a ajuda de telas: a telinha do celular, a tela do computador, algumas videochamadas… Foi por causa de bons roteiros como o desse episódio e por atuações excelentes que “Modern Family” ganhou impressionantes 22 Emmys.
2010: ‘The Office’
Steve Carell em ‘The Office’
Divulgação
2010 foi o ano que “The Office” teve que se reinventar, após a saída do protagonista Steve Carrell. A audiência caiu, mas a série rendeu mais duas temporadas. Elas foram inconstantes, mas tiveram bons momentos.
O auge, porém, foi com Michael Scott, o chefe sem-noção interpretado por Carrell. “The Office” era inspirado em uma série inglesa, criada pelo Ricky Gervais. A versão americana também mostrava o dia a dia em um escritório chefiado por um idiota, mas era mais levinha, menos ácida, bem mais família.
Ela entregava o que você esperava: era uma série sem tantas surpresas ou invencionices. Você sabia qual reação esperar de cada personagem. Você sabia que o Jim e Pam iam ficar juntos. Você sabia que o Michael ia fazer alguma besteira. Ou que o Dwight iria ser o Dwight. Era muito reconfortante ver “The Office”. E era engraçado demais.
2011: ‘Black mirror’
O ator Toby Kebbell em cena da primeira temporada de ‘Black mirror’
Divulgação
“Black Mirror” surgiu em 2011, como uma antologia de contos sobre inovações tecnológicas e como elas podem nos impactar. Começou no canal inglês Chanel 4, com duas temporadas e um especial. Em 2014, migrou para o Netflix.
A gente já fez no blog Legendado aqui do G1 um ranking de todos os episódios lançados até então, do melhor ao pior. “White Christmas”, especial natalino estrelado pelo John Hanm, ficou no topo. São tantas reviravoltas que dá torcicolo só de pensar no roteiro.
O segundo lugar daquela lista ficou com “The Entire History of You”, outro da primeira fase da série. É aquele em que geral bota um chip no cérebro para poder ter acesso completo a todas as memórias, como se fosse um vídeo. Um perigo.
Esse top 2 mostra como aquelas duas primeiras temporadas eram bem melhores do que o resto. Mas há grandes momentos nas temporadas seguintes, como “San Junipero”, da terceira, e “Hang the DJ”, da quarta.
2012: ‘Grey’s Anatomy’
Grey’s Anatomy
ABC
“Grey’s Anatomy” estreou na programação da TV americana como uma série meio para tapar o buraco entre as temporadas das grandes séries, no chamado “midseason”. Isso em 2005, antes até de existir o G1. Mas não demorou para “Grey’s” virar um dos maiores sucessos da história.
E foi essa série que fez de Shonda Rhimes, a criadora, um dos nomes mais poderosos da indústria do entretenimento hoje. “Grey’s” mostra a vida de médicos e pacientes de um hospital em Seattle e já brilhou muito, ganhou muito prêmio e continua no ar. Ela já está indo para a 18ª temporada.
Depois de tantos anos, tanta tragédia no hospital e quase ninguém do elenco original, é claro que ficou difícil manter o nível. Foi em 2012 que rolou um dos episódios mais memoráveis da série, o do acidente de avião, em que morreram personagens bem emblemáticos. Talvez a partir daí a gente tenha começado a cansar um pouco: quem aguenta tanta tragédia? Mas quem já foi fã de “Grey’s” ainda guarda a série no coração.
2013: ‘Breaking Bad’
Breaking bad
Divulgação
O começo de Breaking Bad, em 2008, não foi lá muito bom e muito gente largou a série ali mesmo. Mas quem voltou depois obviamente não se arrependeu. O desenvolvimento da trama é demais e nos leva até um final cheio de ação, tensão. Muito disso é graças ao vai e vem do personagem principal: com ele sendo Walter White, Heisenberg, Walter White, Heisenberg…
Aos que não assistiram esta obra prima, “Breaking Bad” segue a trajetória de um frustrado professor de química que descobre ter câncer e vira produtor e traficante de metanfetamina para deixar uma herança para a família.
A premissa é demais, o protagonista Bryan Cranston está no auge, mas não podemos esquecer: a série é muito bem dirigida, bem pensada, linda, colorida, com uma sequência incrível de cenas nos episódios finais. E muito disso a gente tem que botar na conta do criador, Vince Gilligan.
2014: ‘True Detective’
Matthew McConaughey e Woody Harrelson em ‘True detective’
Divulgação
Quando “True detective” estreou, não teve meio termo: era ou amar ou detestar. Mas o hype em cima da série era bem justificado. Ela parecia bem pretensiosa, mas entregou o que prometia.
Era linda, bem filmada, bem dirigida, com Matthew McConaughey arrasando, Woody Harrelson idem. A história da investigação de um crime bárbaro era contada em duas linhas do tempo que deixavam a gente meio confuso, mas muito deslumbrado.
Tinha aquele clima tenso, aquela trilha sonora bem encaixada. Era tudo incrível. Até tentaram repetir o sucesso com outras duas temporadas, com histórias e atores diferentes, mas à sombra da primeira elas foram apenas… boas.
2015: ‘Mad Men’
Cena de ‘Mad men’
Divulgação
“Mad men” é uma daquelas séries que sobem o padrão de qualquer coisa lá para o alto. Com uma ambientação impecável da Nova York dos anos 60, ela é centrada em Don Draper, um publicitário cínico e genial.
Ela é uma daquelas séries em que não acontece muita coisa, mas ainda assim é maravilhosa. E é cheia de personagens instigantes: Peggy, Joan, Sally Draper… E falava de assuntos importantes como consumismo, machismo, liberação feminina, depressão.
Quem assistiu às sete temporadas, exibidas originalmente entre 2007 e 2015, ficou com vontade de seguir vendo a vida vazia e bem sucedida de Don Draper por mais e mais anos.
2016: ‘Fleabag’
Phoebe Waller-Bridge em ‘Fleabag’
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“Fleabag” estreou em 2016 com uma trama sobre amor, sexo, luto, família, saúde mental. Tudo isso costurado pela performance da atriz e roteirista Phoebe Waller-Bridge.
A série nasceu como um espetáculo teatral em que ela conversa com a plateia. Quando foi para a tela, essa ideia foi mantida.
A gente vira cúmplice da protagonista, porque ela vive olhando para a câmera e comentando o que está acontecendo ali. São duas temporadas de seis episódios, você assiste rapidinho. É imperdível.
2017: ‘Girls’
‘Girls’
Divulgação
Quem assistiu às seis temporadas de “Girls”, e todos aqueles 62 episódios, pelo menos uma vez se pegou pensando: “Meu Deus, que povo mala, por que eu estou vendo isso?”. Mesmo assim, muita gente não parou de ver.
“Girls” é assim. Quando era chata, era chata ao extremo. Mas quando a Lena Dunham acertava a mão, aí você ria, chorava e às vezes fazia as duas coisas ao mesmo tempo. Mas por que tanta gente aguentou tanto constrangimento? Talvez porque essa fase da vida é meio constrangedora mesmo e “Girls” capta isso bem.
São personagens autocentradas, egoístas, sem noção, em relacionamentos muitas vezes doentios. Quem deixou de ver por achar que era uma série “de meninas”, “da geração y” ou de “jovens adultas” tem que ver. Vale a pena. Mas tem que aceitar episódios malas e outros excelentes, como aquele em que Lena encontra um escritor assediador interpretado pelo Matthew Rhys.
2018: ‘La Casa de Papel’
Cena do seriado ‘La Casa de Papel’
Divulgação
“La casa de papel” foi lançada em 2017 pelo canal espanhol Antena3, mas virou um megahit mundial em 2018. Virou também febre, inspirou funk, foi campeã entre as fantasias de carnaval… É fácil de entender tanta empolgação. Ela foi a série mais viciante dos últimos anos, mesmo não sendo um primor no roteiro e nas atuações. Mas quem não maratonou essa trama sobre um bando de desajustados assaltando a casa da moeda não viveu 2018.
Tudo era meio exagerado. E daí? Tinha inspetora se apaixonando em 10 segundos pelo vilão, o Professor? Tinha. Um episódio terminava com um gancho, um cliffhanger absurdo, e daí ele era totalmente esquecido no episódio seguinte? Sim, claro.
O que importa é que tudo em “La casa de papel” é charmoso demais, bem conduzido demais. As outras temporadas fizeram algum sucesso, ficaram mais absurdas ainda, mas a força da primeira temporada é inegável.
2019: ‘Game of Thrones’
Jon Snow (Kit Harington) e Daenerys Targarye (Emilia Clarke) em ‘Game of Thrones’
Divulgação/HBO
2019 foi o ano do fim de “Game of Thrones” e talvez o fim daquela comoção de o mundo inteiro ver uma série junto, ao mesmo tempo, semana a semana. Foi meio que o fim de uma era para os fãs de séries. Isso aconteceu mesmo com as temporadas finais sem aquele impacto dos primeiros anos.
Mas o final não diminuiu o impacto de “Game of Thrones”, é claro. A série tinha um ar meio medieval, com reis, rainhas, a briga por um trono, mas também tinha muita cena ousada, muito sexo, violência…
Tinha também dragões, seres malignos do gelo, até incesto tinha lá. Por oito temporadas, a gente acompanhou a briga pelo trono de ferro nos sete reinos de Westeros e fez apostas sobre quem ia levar a melhor.
2020: ‘I may destroy you’
Michaela Coel em ‘I May Destroy You’
Divulgação/HBO
“I may destroy you” é uma das séries mais impactantes dos últimos tempos. E não é uma série fácil de assistir, não.
Apesar de ter momentos fofos e engraçados, ela é uma série incômoda. Porque fala de estupro, abuso, relações tóxicas. E, o que é mais forte: ela é baseada em experiências vividas na vida real pela protagonista, a Michaela Coel, também criadora, roteirista e diretora da série.
A Michaela, que é basicamente uma gênia, conseguiu pegar uma história traumática e transformar em uma série vibrante e muito, muito boa. Não só boa, mas necessária para os nossos tempos.