Lixo produzido por cidades da Amazônia poderia gerar energia para mais de 550 mil residências


Estudo avaliou potencialidades de produção de biogás em aterros sanitários e defende que investimentos poderiam contribuir com desenvolvimento sustentável da região. Pesquisa destaca que aterro sanitário de Macapá tem potencial para gerar energia para quase 8 mil residências
John Pacheco/G1
No domingo (5) é celebrado o Dia da Amazônia, mais uma oportunidade para colocar em debate o que poderia mudar e melhorar a vida da fauna, flora e de quem mora na região. Um estudo recente avaliou que, se houvesse investimentos necessários, os resíduos sólidos produzidos nas cidades do Norte do país poderiam gerar energia para mais de 550 mil residências, beneficiando 2,2 milhões de pessoas.
Fonte de energia pouco explorada no país mas que vem se multiplicando pelo campo, biogás é sugerido como alternativa para tratamento adequado do lixo, contribuindo com o meio ambiente, com o saneamento e para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
O estudo foi publicado em agosto pelo Instituto Escolhas, uma associação civil sem fins lucrativos fundada em 2015, que tem como foco debater e construir soluções em busca da sustentabilidade no âmbito econômico, social e ambiental.
É possível converter em biogás a matéria orgânica de diversos resíduos, tais como o lixo das cidades urbanas (98% do potencial), e o que é descartado na piscicultura e na produção da farinha de mandioca, que são atividades comerciais tradicionais da Amazônia.
Manaus tem um dos dois aterros sanitários que geram energia a gás na Amazônia
Alex Pazuello/Semcom/Divulgação
O estudo avaliou o potencial de produção de biogás nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Conforme o Instituto Escolhas, só 6% dos resíduos urbanos na Amazônia são aproveitados para a geração de energia nos aterros sanitários de Manaus (AM) e Rosário (MA). Larissa Rodrigues, gerente de projetos, comenta que o uso do biogás pode transformar os 243 lixões a céu aberto e os 51 aterros controlados que existem na região, dando tratamento adequado aos resíduos.
“Essas unidades já não deveriam existir e a energia limpa do biogás pode ser um componente importante para viabilizar os investimentos necessários para transformá-las em aterros sanitários, contribuindo para resolver um grave problema sanitário e ambiental”, citou.
Aterro sanitário de Macapá
PMM/Divulgação
Em Macapá, onde tem um aterro sanitário, os resíduos reaproveitados poderiam atender quase 8 mil residências. O Instituto Escolhas destaca que o biogás já é coletado em na capital amapaense, mas que não gera energia. São quase 110 toneladas de resíduos produzidos por ano, que, se transformados em energia, atenderiam mais de 23,8 mil pessoas (5% da população macapaense), indica o estudo.
O potencial estudado também poderia suprir cerca de 290 botijões de gás de 13 quilos cada; ou produzir 5 milhões de litros de diesel.
Em nota, a prefeitura declarou que atualmente trabalha em investimentos de energia solar em comunidades ribeirinhas, mas que planeja implantar um sistema de produção energética a partir dos resíduos urbanos.
“Demais projetos de bioenergia estão em produção pela Prefeitura Municipal, como a implantação de um sistema de gás a partir do lixo descartado no aterro sanitário do município, com geração de energia limpa, que será destinada às comunidades rurais. A iniciativa está em fase de estudo e análise estrutural […] As próximas etapas de implantação da bioenergia em Macapá permitirão que mais distritos e unidades do serviço público sejam atendidos, gerando economia ao Tesouro”, declarou.
Produção de energia renovável amenizaria transtornos causados pela insegurança energética no Amapá
reprodução TV Globo
No estudo, o instituto afirma que essa seria uma possibilidade para dar segurança energética para os consumidores em situações como os frequentes apagões registrados no Amapá desde novembro de 2020.
“A geração de energia elétrica a partir do biogás é um mecanismo interessante sob o ponto de vista do suprimento energético: arranjos contemplando a obtenção de energia a partir do biogás em momentos em que o fornecimento pela concessionária é comprometido podem minimizar impactos relevantes no território”.
A capital 48% do potencial de todo o estado, e também são elencadas possibilidades de produções de biogás em Santana, Laranjal do Jari, Oiapoque e Porto Grande.
No interior de MG, produtores rurais instalaram biodigestor que armazena gás em câmara e o transfere em energia para granjas
Lucas Faria/Arquivo Pessoal
Como funciona a captação do biogás?
O gás pode ser captado a partir de diferentes resíduos. O material se transforma por ação de bactérias. O metano produzido nos aterros vai para a superfície de biodigestores e é levado por dutos até os motogeradores, onde ele é queimado para gerar energia elétrica. A queima emite gás carbônico, mas evita que o metano, muito mais prejudicial ao meio ambiente, vá para a atmosfera.
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