Letícia Sabatella traz ‘Caravana Tonteria’ para o disco com singular musicalidade


Artista lança o registro de estúdio do show em que canta composições de Caetano Veloso e Chico Buarque, além de cinco temas de autoria própria. ♪ Conhecida nacionalmente como atriz e ativista, a mineira Letícia Sabatella é também cantora e compositora. Há 19 anos, a artista chegou a compor e a gravar com Elza Soares a música A cigarra, incluída no álbum Do cóccix até o pescoço (2002), um dos títulos mais celebrados da discografia de Elza.
A carreira musical de Sabatella teve impulso em 2015 com a entrada em cena da Caravana Tonteria. Espetáculo inicialmente mais teatralizado que flertava com a arte clown, Caravana Tonteria foi ganhando com o passar dos anos as feições de show mais tradicionalmente calcado na música, ainda que embebido em teatralidade.
Ainda em cartaz pelo Brasil, após a necessária interrupção provocada pela pandemia, o show Caravana Tonteria gera registro fonográfico em álbum gravado no estúdio Space Blues, na cidade de São Paulo (SP).
Em rotação nos aplicativos de música desde 15 de julho, em edição da gravadora Biscoito Fino, o disco Caravana Tonteria perpetua 13 números do show do grupo formado por Letícia Sabatella (voz) com Fernando Alves Pinto (serrote), Paulo Braga (piano e direção musical) e Zéli Silva (baixo).
Músico convidado, Daniel D’Alcântara sopra o trompete ouvido em Cabia-me, música de autoria de Letícia Sabatella que abre o álbum Caravana Tonteria, e o flugelhorn que acalenta Silent kindness, outro tema da lavra da artista.
Capa do álbum ‘Caravana Tonteria’, do grupo liderado por Letícia Sabatella
Érika Neves com arte de Rubens Amatto
Sabatella, aliás, é a compositora poliglota de cinco das 13 músicas do disco, cuja capa enquadra fotos de Érika Neves na moldura da arte de Rubens Amatto. Além de Cabia-me e Silent kindness, Sabatella assina Jazzin 3, Parouputi – tema vocalizado, sem letra, que abre o show e encerra o disco – e Tonteria.
Entre as composições autorais, a artista dá voz a duas músicas da seleta parceria de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) com Chico Buarque – Sabiá e Retrato em branco e preto (com parte da letra quase sussurrada), ambas apresentadas em 1968 – e também a Geni e o zepelim (1978), título do cancioneiro composto por Chico sem parceiros.
Além de incursionar duplamente pela obra de Caetano Veloso, abordando Coração vagabundo (1967) e A rã (parceria com João Donato, de 1974), a Caravana Tonteria revela O sentido do samba. Até então inédito em disco, o samba é de autoria de Arrigo Barnabé com Sérgio Espíndola e ganha registro no álbum com a percussão de Léo Rodrigues, músico convidado do grupo.
Quase ao fim do disco, a interpretação de Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956) – sucesso da cantora francesa Edith Piaf (1915 – 1963) – corrobora a vocação musical de Letícia Sabatella. Vocação que fica mais evidente quando o show Caravana Tonteria está em cena com mix sedutor de teatralidade – potencializada pelos tangos e textos interpretados por Fernando Alves Pinto – e singular musicalidade.