Lawrence Ferlinghetti, poeta americano, morre aos 101 anos


Poeta fez parte da Geração Beat que revolucionou a literatura americana na década de 50 e fundou a histórica livraria City Lights, em São Francisco. Lawrence Ferlinghetti, em foto de novembro de 2005
Henny Ray Abrams/AP/Arquivo
O poeta Lawrence Ferlinghetti morreu aos 101 anos nesta segunda (22). O artista americano fez parte da Geração Beat que influenciou a literatura americana na década de 50.
Ele vivia em São Francisco, na Califórnia, cidade em que fundou a famosa livraria City Lights.
A informação da morte foi confirmada ao jornal Washington Post pelo filho Lorenzo, que atribuiu a causa da morte à uma doença pulmonar.
“Ferlinghetti foi fundamental na democratização da literatura americana ao criar (com Peter D. Martin) a primeira livraria do país em 1953, dando início a um movimento para tornar diversos livros de qualidade baratos amplamente disponíveis”, diz o comunicado publicado nas redes da livraria nesta terça (23).
“Por mais de sessenta anos, aqueles de nós que trabalharam com ele na City Lights foram inspirados por seu conhecimento e amor pela literatura, sua coragem na defesa do direito à liberdade de expressão e seu papel vital como um embaixador cultural americano. Sua curiosidade era ilimitada e seu entusiasmo era contagiante. Sentiremos muito a sua falta”, continua.
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Vida e obra
Lawrence Ferlinghetti, em foto de outubro de 1988
Frankie Ziths/AP/Arquivo
Lawrence Monsanto Ferlinghetti nasceu em março de 1919 na cidade de Yonkers, em Nova York. Ele começou a destacar nos anos 50 quando publicou o poema-manifesto “Uivo”, de Allen Ginsberg.
O lançamento atraiu a atenção para Ginsberg, e, consequentemente, para toda a Geração Beat de poetas, artistas e hipters que se rebelavam contra o conservadorismo através da literatura.
Ferlinghetti escreveu dezenas de livros, incluindo um dos volumes de poesia mais vendidos da história americana: “A Coney Island of the Mind” (1958), uma crítica direta e frequentemente irônica da cultura dos Estados Unidos.
Além do trabalho como escritor, o poeta era visto como guru da cena artística de São Francisco.
A livraria e editora independente City Lights foi fundada em 1953 por Ferlinghetti e por Peter D. Martin, e é um das mais icônicos espaços literários dos Estados Unidos.