Larissa Luz invoca espiritualidade em single feito com fé na pegada afro-brasileira da orquestra juvenil Rumpilezzinho


Gravação de ‘Cante pra chamar’ embute fala de Makota Valdina, ativista baiana morta há dois anos. Capa do single ‘Cante pra chamar’, de Larissa Luz com Rumpilezzinho
Divulgação
Resenha de single
Título: Cante pra chamar
Artista: Larissa Luz com Rumpilezzinho
Composição: Larissa Luz
Edição: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2
♪ Ainda mais conhecida fora da Bahia pela atuação em Elza (2018), musical de teatro em que foi um das intérpretes da Elza Soares, a soteropolitana Larissa Luz por vezes emulou, em cantos feitos fora de cena, a matriz vocal da cantora carioca.
Primeiro single de Larissa neste ano de 2021, Cante pra chamar chega ao mundo digital na terça-feira, 6 de julho, dissociando a artista do canto de Elza e reconectando Larissa com a matriz afro-brasileira de discografia solo que já gerou três álbuns – MunDança (2012), Território conquistado (2016) e Trovão (2019) – pautados pela efervescência contemporânea desse universo musical afro-pop-brasileiro.
Sucessor dos singles Dance com sua sombra (2020), Não tenha medo de mim (2020) e Essa é minha cor (trilha de campanha lançada em novembro de 2020 por empresa de cosméticos com inspiração na força da mulher negra) na discografia de Larissa Luz, Cante pra chamar se escora nas percussões e sopros da orquestra juvenil Rumpilezzinho, projeto social derivado da Orkestra Rumpilezz.
Maestro da Rumpilezz, Letieres Leite orquestrou a produção artística do single Cante pra chamar, assinando com Jordi Amorim a direção musical da gravação também formatada com programação pilotada pela própria Larissa Luz. Letieres é nome recorrente na discografia da cantora.
Nos versos de Cante pra chamar, composição inédita feita durante a pandemia, a artista invoca forças espirituais e professa fé, o que confere legitimidade ainda maior à inserção na gravação de fala de Makota Valdina (1943 – 2019). Morta há dois anos, a ativista e educadora baiana foi uma das vozes que se fizeram ouvir mais alto na luta contra o racismo.
Também ativista, Larissa Luz apresenta música que se eleva mais por essa força espiritual e pela fé na pegada afro-baiana do Rumpilezzinho do que pela composição em si.