Karol Conká, Doutor Gê, Aline: Como vilões do BBB se tornam vilões do BBB?


Pesquisadora explica que quando alguém foge do que se espera dele, ele acaba punido e pode se tornar o antagonista da história. Fugir do esteriótipo gera rejeição e fama de inautêntico. Acadêmicos do BBB: Como um vilão do BBB se torna vilão do BBB?
Todo BBB tem pelo menos um antagonista. Mas como nascem os vilões no reality show? A resposta mais simples é: repetindo erros de edições anteriores (veja a explicação no vídeo acima).
Tem quem se identifique com vilões. Mas nem tanto: nunca um vilão ganhou. Considerada a vilã do BBB21, Karol Conká dificilmente será campeã desta edição.
Na dissertação de mestrado, “O que o BBB tem a ver com você?: uma análise sobre o sucesso de um reality show”, a pesquisadora Erika Lucchini mostra que o BBB só faz sucesso por ter vários “grandes irmãos”, e um deles é o famigerado vilão.
Karol Conká no BBB21
Divulgação
A pesquisadora mostra que além do malvado ou malvada da edição, o BBB também tem perfis como bonzinho, mãe, vítima, velho, bela, infantil.
Ela conta que esses estereótipos são bem definidos e fazem o programa ter sucesso. Já na primeira semana, o espectador já tem uma ideia de quem está com cada papel.
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Karol Conká, Doutor Gê e Aline: participantes do BBBs foram considerados vilões
Divulgação
No texto “Personagens emolduradas: os discursos de gênero e sexualidade no Big Brother Brasil 10”, a então mestranda Katianne de Souza explicou bem os temas do título, mas também resumiu como vilões surgem na casa.
A pesquisadora escreveu que toda vez que um participante do BBB foge do que se espera dele, foge do que ela chama de “moldura”, ele acaba punido.
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Segundo a dissertação, toda vez que você tem uma performance que não tem mais a ver com o estereótipo pelo qual você é conhecido, acontece uma ou várias punições. No Big Brother, ser punido é ser eliminado antes daqueles que são mais leais aos seus papéis.
O que todos os ganhadores do BBB têm em comum? Eles e elas podem ser chamados de “autênticos”. Cada qual do seu jeito, mas autenticidade é uma qualidade importantíssima.
Quem foge da estereótipo é rejeitado
Nego Di como líder do BBB21
Divulgação/TV Globo
É simples aplicar a ideia da “fuga da moldura” no BBB21. Você não espera, por exemplo, que uma rapper conhecida por versar sobre temas progressistas seja considerada preconceituosa ou intolerante.
Não se espera que um humorista seja tenso e pouco piadista ou que não traga leveza para casa. Esperava-se graça de Nego Di.
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Também era natural esperar que ele fosse leal ao melhor amigo, Lucas, com quem ganhou duas provas. Ele negou duas vezes o papel que lhe foi dado e saiu com 98,76% dos votos, uma rejeição recorde.
BBB5, a edição da rejeição
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Divulgação Globo/Reprodução/Instagram/RogerioPadovan
No BBB 5, Doutor Gê se destacou como um dos principais vilões. Ele se apresentou como um médico bon vivant, divertido, mas depois foi ficando ofensivo, pilhado. Fugiu do papel dele e saiu com 92%.
Na mesma edição, Aline foi ainda mais rejeitada. Ela saiu com 95% dos votos. Só teve essa rejeição recorde porque não entregou o que se esperava dela.
O público imaginava que ela se daria bem com a turminha da Pink, Alan, Grazi Massafera e Jean Wyllys. Aline sabia que o grupo que iria trair era popular, porque ela entrou no decorrer do programa. Ela substituiu Marielza, após ela sofrer um AVC.
Aline fingiu ser amiga dos “bonzinhos” do reality e fofocava com o grupo rival. Ela fingiu ser alguém que não era. E por isso foi tão rejeitada.
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