Juju Salimeni diz que depressão afetou casamento. Saiba como lidar

Juju Salimeni com Felipe Franco, com quem manteve 14 anos de relacionamento

Juju Salimeni com Felipe Franco, com quem manteve 14 anos de relacionamento
Thaís Aline/Agência Fio Condutor

A musa fitness Juju Salimeni, 32, anunciou sua separação nas redes sociais na segunda-feira (17) e afirmou que a depressão destruiu seu casamento. Ela teria sido diagnosticada com a doença há menos de um ano. Além disso, revelou que há oito anos sofre de síndrome do pânico. 

De acordo com o psiquiatra Henrique Bottura, do Hospital das Clínicas de São Paulo, os problemas podem realmente afetar o relacionamento devido à dificuldade de o parceiro não identificar o comportamento do outro como um transtorno, gerando conflito.

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“O mais difícil é o cônjuge não compreender como patologia. Quando convive, é difícil separar o que é doença do que é personalidade. Vira um fator de estresse e os casais tendem a se separar”, afirma.

O psiquiatra explica que, na convivência, espera-se um equilíbrio entre as ações do casal. Quando uma das pessoas tem um quadro de depressão, há um desequilíbrio dessas ações. “Na depressão, a pessoa tem pouca energia para garantir o básico para ela. Há, portanto um desnível, que gera desconforto. Ela tem dificuldade em manter projetos, ter vida social, dar conta dos filhos. Então, o outro vai ter que doar um pouco da energia dele para compensar esse desquilíbrio”, diz.

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Segundo ele, a síndrome do pânico pode evoluir para depressão e vice-versa. Ele explica que a síndrome do pânico é uma crise aguda de ansiedade que dura de 10 a 20 minutos na qual há uma sensação de morte iminente, com sintomas como falta de ar e taquicardia. “Ocorre de forma imprevista, então a pessoa começa a ter medo de sair de casa e ter um ataque na rua”, afirma.

Já a depressão é um conjunto de sinais e sintomas que mostram que a energia vital está baixa. Há perda de capacidade de sentir prazer na vida.

A síndrome de pânico pode comprometer a relação porque acaba minando a vida social devido ao medo da exposição da pessoa com o transtorno e também pelas inúmeras vezes que ela terá que ir ao pronto-socorro – lembrando que a pessoa vivencia sintomas de um infarto, embora não seja real.

“Quem vê de fora acha que é ‘pití’. Em vez de protegê-lo, critica. Isso vai distanciando o casal. Não há nada acontecendo do ponto de vista físico, mas existe um desequilíbro”, afirma.

No caso da depressão, os sintomas da doença podem ser confundidos com “preguiça” ou “irresponsabilidade” para quem desconhece o problema. “Uma mãe com depressão, por exemplo, começa a não cumprir seu pepel, deixando de educar os filhos e não os levando na escola”.

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Segundo o médico, ambos os problemas causam falta de libido, o que também pode interferir no relacionamento. “Os medicamentos para o tratamento contra a depressão também diminuem a libido”, diz.

Para lidar com um parceiro ou parceira com os problemas, o médico orienta a jamais desqualificá-lo, ressaltando que, com o tratamento adequado, ele poderá “evoluir bem”. 

“Ocorre muitas vezes de o paciente não ter consciência que tem o problema, o familiar perceber que ele está doente, mas não conseguir ajudar. Nessa situação, o  primeiro passo é tentar conversar com a pessoa para que ela faça uma auto-reflexão”, afirma.

“Caso não funcione, já vi casos em que a pessoa disse ao familiar que vê-lo sem reação a deixava angustiada e que pedia para ele acompanhá-la ao psiquiatra para o médico dizer para ela que estava errada, que ele não tinha depressão. E funcionou”, finaliza.

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