José Augusto favorece Maria Bethânia ao vetar a canção ‘Evidências’ no álbum ‘Noturno’


♪ ANÁLISE – Noturno, o já aclamado álbum lançado hoje por Maria Bethânia, poderia estar chegando ao mercado fonográfico nesta sexta-feira, 30 de julho, com uma música a mais.
Sucesso do universo sertanejo que ganhou a voz da cantora a partir do show Claros breus (2019), em número entrelaçado com a canção Da taça (Chico César, 2015), a música Evidências fazia parte do repertório selecionado por Bethânia para o disco Noturno.
Só que um dos autores da canção – o cantor e compositor carioca José Augusto, parceiro do letrista Paulo Sérgio Valle na criação dessa música apresentada em 1989 em disco do cantor Leonardo – vetou o registro fonográfico de Evidências por Bethânia.
Sem autorização legal para gravar Evidências, Bethânia teve que retirar do álbum Noturno a canção propagada a partir da gravação lançada em 1990 pela dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó.
A lei de direito autoral em vigor no Brasil permite que Bethânia continue cantando Evidências em show sem a prévia autorização de José Augusto, se assim o desejar, mas a permissão do autor é fundamental para qualquer registro fonográfico da música.
Especula-se que o motivo da proibição tenha sido alguma mágoa antiga de José Augusto com Bethânia. Qualquer que tenha sido a razão do veto, a proibição favoreceu o álbum Noturno.
Evidências é grande canção de pulsante veia popular. Funcionou bem no show Claros breus, inclusive pelo link com a canção Da taça. Só que, na arquitetura poética do disco Noturno, Evidências seria música destoante do conceito que norteia o repertório.
Por mais que a letra de Paulo Sérgio Valle verse sobre contraditórios sentimentos de amor, Evidências poderia diluir o contraste entre estados d’alma claros e escuros que abrilhanta o álbum Noturno porque a canção fala outra língua musical.
O que jamais depõe contra Evidências. Sem preconceito, a canção é excelente e o sucesso perene ao longo de 31 anos dissipa qualquer dúvida em relação ao poder mobilizador da música. Só que, sob a luz da poesia do disco de Maria Bethânia, Noturno fica melhor sem Evidências.