Intercâmbio cultural promove troca de conhecimentos entre alunos e índios Tiriyó


Proposta foi de um professor de artes da rede pública, em Macapá. Uma família da etnia conversou com estudantes da escola Augusto dos Anjos sobre o modo de vida do indígena. Aula ocorreu na Escola Estadual Augusto dos Anjos, em Macapá
Rita Torrinha/G1
Uma aula de artes bem diferente foi aplicada nesta segunda-feira (26) para alunos do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Augusto dos Anjos, em Macapá. A ideia era fazê-los conhecer sobre a cultura, crenças e modo de vida do povo indígena Tiriyó. Mas não teve livro ou anotações no quadro, e sim trocas de experiências ao vivo, com a presença de uma família da etnia.
A tática adotada pelo professor Moisés Ramos teve grande impacto nos alunos, que se mostraram impressionados com os conhecimentos e experiências do povo que mora no Parque do Tumucumaque, na região Norte do Pará. Cheios de curiosidades, os estudantes fizeram várias perguntas sobre a vida dos indígenas.
O professor conta que quis aprofundar a abordagem do tema indígena, partindo dos conhecimentos adquiridos na teoria, em livros, e passando para a vivência na prática. A roda de conversa chamou a atenção dos estudantes.
“A gente só estuda em sala de aula, com livros, e esta experiência está sendo emocionante. É um presente que o professor nos deu. O que mais me chamou atenção foi em relação ao dote dos índios, que precisam ofertar aos seus sogros vários jacarés, caçados à mão, para poder casar com a índia”, contou a aluna Gabrielly Barros, de 18 anos.
Família Tiriyó compartilhou experiências com alunos de escola pública
Rita Torrinha/G1
A índia Merlane Tiriyó trouxe os pais e o sobrinho para participar da conversa. Faz alguns anos que ela saiu da aldeia para estudar em Macapá, onde mora atualmente e cursa duas faculdades, de direito e de biomedicina. Para ela, o contato com jovens estudantes da cidade é importante.
“É muito importante ter esse contato para contar a nossa realidade. Porque a gente só vê a cultura do homem branco e a gente quer contar a nossa cultura. Acho que só através da troca de conhecimentos pode acabar o preconceito que muitos de nós sofremos. Muitas pessoas nos veem, em pleno século 21, como incapazes e nós temos muitos conhecimentos”, relatou.
Para o professor Moisés Ramos, a experiência prática para um educador não tem preço.
“Em sala de aula nós trabalhamos a cultura pré-cabralina e mostramos a eles a cestaria, a cultura, a cerâmica e a pintura corporal. É interessante perceber nos alunos as expressões nos rostos deles ao verem o impacto cultural entre povos. A ideia é proporcionar a eles uma aula polivalente e acho que deu muito certo”, falou.
Merlane Tiriyó mostrou aos alunos a pintura com a resina da fruta jenipapo
Rita Torrinha/G1
Durante a aula, os alunos conheceram algumas músicas tocadas em rituais dos indígenas, a pintura feita a partir da resina do jenipapo, alguns até toparam ter a arte marcada no braço, conheceram como funcionam os rituais do casamento, além da importância da terra para a sustentabilidade dos povos, entre outras curiosidades.
O pai da Merlane, Natan Tiriyó, contou que teve de pegar 10 jacarés para conseguir a mão da esposa, Celeste. Ele também falou sobre os rituais de guerra, de bravura e de como os índios se sentem em relação ao homem branco.
“Foi uma tarde perfeita. A melhor aula. Todos os alunos deveriam ter essa oportunidade”, finalizou a aluna Gabrielly Barros.
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