Instituto britânico e empresa belga se unem para desenvolver tratamento contra peste suína


Foco seria na criação de medicamento antiviral contra a doença, para a qual não há vacina disponível. Surto na China já provocou a morte de milhares de porcos. Analistas estimam que até 200 milhões de porcos podem morrer ou ser sacrificados por conta da peste suína na China
Reprodução/ TV Gazeta
O instituto britânico Pirbright juntou-se à companhia belga de biotecnologia ViroVet para desenvolver o primeiro medicamento antiviral contra a peste suína africana, segundo comunicado conjunto divulgado nesta quarta-feira (29).
A doença contagiosa começou a se espalhar no ano passado entre suínos da China, que detém o maior rebanho global. Analistas estimam que até 200 milhões de porcos podem morrer ou ser sacrificados no país neste ano, o que causaria uma grande queda na oferta de carne suína.
Centenas de milhares de animais já foram abatidos por conta da doença. A redução de animais ocorrida até agora nas criações chinesas já alterou o fluxo do mercado internacional de carnes e mexeu, inclusive, com as exportações do Brasil.
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Atualmente, não há uma vacina efetiva contra a peste.
“Sem uma vacina viável, a peste suína africana é incrivelmente difícil de ser controlada devido à sua habilidade de se espalhar por meio de javalis e também pelo consumo de carne e outros produtos suínos contaminados”, disse Linda Dixon, chefe do Grupo de Peste Suína Africana da Pirbright.
“Ter uma ferramenta que possa diminuir o risco de disseminação posterior, uma vez que os suínos tenham sido infectados, ajudaria bastante na prevenção da rápida disseminação dessa doença”, apontou.
Medicamentos antivirais já são utilizados na medicina humana para tratar doenças como a AIDS e a hepatite C, para as quais não existem vacinas disponíveis, e têm servido como um método de controle eficaz da peste suína clássica, uma doença semelhante, mas menos contagiosa, que também afeta suínos.
Foram encontrados focos de peste suína clássica em pequenas criações no Nordeste do Brasil. As duas doenças são mortais para os suínos, mas não passam para os seres humanos.