Inseticidas podem criar baratas invencíveis, diz estudo


Pesquisadores dos Estados Unidos analisaram uma espécie alemã e, após diversos testes, afirmam que produtos químicos atuais podem selecionar ‘superbaratas’ difíceis de eliminar. Com um rápido processo evolutivo, artrópode cria resistência a inseticidas
Divulgação/John Obermeyer/Purdue
Pesquisadores da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, alertam que a barata da espécie Blatella germanica L. (Barata alemã) está cada vez mais difícil de se controlar. Em estudo publicado na revista “Scientific Reports”, da Nature, os cientistas afirmam que o inseto vem desenvolvendo resistência a uma variedade de inseticidas. Isso faz com que agentes químicos usuais não sejam suficientes para conter essa praga urbana.
Segundo a pesquisa, a evolução das baratas faz com que elas desenvolvam uma resistência cruzada aos inseticidas mais potentes do mercado. Esse tipo de resistência vem sendo estudado por cientistas de todo o mundo desde a década de 1950.
Vale lembrar: conforme os preceitos da Teoria da Evolução, de Charles Darwin, quando um fator elimina os exemplares mais fracos da espécie, acaba fazendo com que somente os mais fortes e resistentes a essa ameaça continuem vivos.
Assim, os mais fortes se reproduzem e a espécie “adquire”, com o passar do tempo, novas características, resistentes às ameaças mais comuns. Por isso se diz que as baratas “desenvolvem resistência” a inseticidas.
Na verdade, os inseticidas selecionam os indivíduos mais fortes da espécie.
O estudo americano
O experimento dos entomologistas, liderado pelo professor Michael Scharf, consistia em fazer um rodízio de diferentes inseticidas para observar como atuavam em áreas infestadas pelas baratas. Em todas, foi observado um aumento ou manutenção da população.
O estudo observa que, mesmo quando uma população de baratas é controlada por um primeiro inseticida, as seguintes gerações podem desenvolver resistência cruzada aos compostos químicos e aumentar exponencialmente dentro de meses.
As fêmeas da barata alemã têm ciclos reprodutivos de apenas três meses, e podem botar ovos até 50 vezes em suas vidas.
Os pesquisadores reconhecem que o uso de venenos é essencial para o controle da população de baratas em áreas urbanas, mas recomendam o uso de armadilhas mais avançadas.
Além de despertar nojo, as baratas representam um risco real para a saúde humana. Elas podem provocar asma e rinite, além de servir de vetor para bactérias como a E. Coli e a Salmonella.