Inflação dos mais pobres sobe e vai a 0,67% em março, diz FGV

Com esse resultado, índice acumula alta de 5,42% nos últimos 12 meses. O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) — que mede a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos — apresentou inflação de 0,67% em março, vindo de 0,49% em fevereiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) em relatório nesta sexta-feira (5).
Já o IPC-Br, que mede a alta de preços para famílias com renda de um a 33 salários mínimos mensais, registrou inflação de 0,65% no mês passado, tendo saído de 0,35% em fevereiro.
Com esse resultado, o IPC-C1 acumula alta de 5,42% nos últimos 12 meses, contra 4,88% do indicador geral. Em fevereiro, a inflação dos menos favorecidos apontava para uma alta de preços acumulada de 4,81% desde março de 2018 contra 4,38% para os consumidores em geral no mesmo período.
Nessa apuração, quatro das oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: Transportes (de 0,22% para 1,27%), Alimentação (0,97% para 1,23%), Vestuário (que saiu de uma queda de 0,04% para uma alta de 0,61%) e Educação, Leitura e Recreação (que passou de uma redução de 0,24% para um crescimento de 0,10%).
Nesses grupos, vale destacar o comportamento dos itens: gasolina (que saiu de uma queda de 1,85% para um crescimento de 3,24%), hortaliças e legumes (de 6,22% para 12,14%), roupas (de 0,06% para 0,85%) e show musical (de uma queda de 2,53% para alta de 2,70%).
Em contrapartida, os grupos Habitação (de 0,40% para 0,20%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,50% para 0,25%), Despesas Diversas (de alta de 0,08% para uma redução 0,15%) e Comunicação (que saiu de uma queda de 0,05% para uma baixa de 0,06%) apresentaram recuo em suas taxas de variação.
Nessas classes de despesa, destacam-se os itens tarifa de eletricidade residencial (de 1,56% para 0,17%), artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,99% para 0,34%), serviço religioso e funerário (de 0,94% para 0,18%) e tarifa de telefone residencial (queda de 0,16% para redução de 0,44%).
A principal diferença entre o IPC-C1 e o IBC-Br está na ponderação da cesta de produtos e serviços para chegar ao indicador final. Como, para famílias mais pobres, alimentação costuma ter maior relevância dentro do total de despesas, por exemplo, essa classe tem peso de quase 40% no IPC-C1 contra 27% no IPC-Br. Da mesma forma, Educação tem peso de quase 9% na inflação das famílias que recebem até 33 salários mínimos e de 2,5% para os menos abastados.
Suas diferenças, além do peso de cada item ou categoria de despesa, estão também nas cidades pesquisadas. Enquanto o IPC-Br é coletado em sete capitais (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília), o IPC-C1 se limita a levantar preços de Rio, São Paulo, Recife e Salvador. Ambos IPC-Br e IPC-C1 são baseados em coletas do primeiro ao último dia útil de cada mês.
A próxima divulgação do IPC-C1, com a inflação de abril para o segmento mais pobre da população, acontecerá no dia 6 de maio.