Incerteza elevada: economia real sofre, e indústria vira retrato do marasmo


Desde o fim do ano passado, houve uma nova escalada na crise da indústria. Além da fraqueza da economia, setor tem de lidar com vários choques. Num ambiente dominado pela incerteza neste início de ano, empresários e consumidores estão menos confiantes com relação ao desempenho da economia brasileira. Logo, investem e compram menos do que o esperado. O resultado é que todos os setores mostram uma fraqueza.
Entenda o círculo vicioso do baixo crescimento do país
O cenário mais difícil tem sido enfrentado pela indústria. Antes de a crise se enraizar de vez pela economia brasileira, a partir de 2014, o setor já dava sinais de alerta com a perda de competitividade. No entanto, desde o ano passado, houve uma nova escalada na crise, e a indústria voltou a perder ritmo. Neste primeiro trimestre, apenas cinco setores tiveram avanço na produção.
“A trajetória da indústria preocupa muito”, afirma o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin. “E é um movimento generalizado, o sinal é negativo para vários setores.”
Um trimestre para esquecer
Roberta Jaworski/Arte G1
A indústria tem lidado com uma combinação bastante perversa neste início de ano. Além da fraca retomada da economia local, o setor é afetado por vários choques, como a tragédia em Brumadinho, com fortes impactos para o setor extrativista; os reflexos provocados pela greve dos caminhoneiros; a desaceleração do comércio global; e a crise econômica da Argentina – o país é um importante importador de produtos manufaturados do Brasil.
“Depois da greve dos caminhoneiros, a indústria não sustentou mais uma recuperação que vinha se observando”, afirma o gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. “Os dados deste ano não são animadores. Não há nem um crescimento, o setor está numa situação de pequena queda.”
Vários setores estão acumulando resultados negativos e há pouca expectativa de retomada
Celso Tavares/G1
O ponto mais preocupante é que os resultados negativos estão se acumulando em vários segmentos e há pouca expectativa de retomada – ao menos por ora. A produção industrial do setor têxtil e de vestuário, por exemplo, recua há quatro trimestres seguidos.
“O país não está crescendo e falta demanda. As pessoas estão com medo, e os empresários estão aguardando. A economia não anda com tanta incerteza”, diz o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel.
No chão de fábrica, os empresários estão sendo obrigados a promover uma série de ajustes na sua produção para conseguirem sobreviver. Dono da Anfra Tecidos, o empresário Ramiro Palma reduziu a sua produção e diminuiu o quadro de funcionários de 65 para 50.
“As empresas estão fazendo a lição de casa dentro do possível, repensando o negócio, procurando novas formas de trabalhar, novos produtos e nichos de mercado. Tudo para minimizar o impacto da crise”, afirma Palma.
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