‘Immortals Fenyx Rising’ mistura bons exemplos de clássicos, mas tenta coisas demais; G1 jogou


Game lançado nesta quinta-feira (3) leva mecânica de ‘Breath of the wild’ à mitologia grega e apresenta quebra-cabeças excelentes, mas peca em tom de piadas e em tarefas repetitivas. Até quem nunca jogou “The Legend of Zelda: Breath of the wild” vai se lembrar do game da Nintendo ao jogar “Immortals Fenyx Rising”, lançado nesta quinta-feira (3) para PlayStation 4 e 5, Xbox One e Series S e X e computadores.
O novo game da Ubisoft tem o mesmo visual mais cartunesco e artisticamente atraente da aventura de Link de 2017, leva muito do espírito do jogo – e até um pouco demais de sua mecânica, é verdade – para a mitologia grega, e brilha com excelentes quebra-cabeças.
Infelizmente, se perde um pouco no tamanho de seu mundo aberto, com tarefas que se tornam repetitivas depois das muitas horas necessárias para chegar a seu final, além de piadas forçadas e desnecessárias que poucas vezes atingem o alvo.
Assista ao trailer de ‘Immortals Fenyx rising’
Salvando deuses
Em “Immortals Fenyx Rising”, o jogador controla Fenyx, herói ou heroína que pode ser personalizado a qualquer momento – um pouco parecido com o que acontece em “Assassin’s Creed Valhalla”, mas sem tanta influência na história.
Seu objetivo é devolver aos antigos deuses gregos seu poder e glória, e salvar o panteão e o mundo do terrível titã Typhon, que escapou de sua prisão e transformou todos os mortais em pedra.
É interessante acompanhar e controlar Fenyx no começo, enquanto o/a protagonista ainda descobre seu papel de salvador e desenvolve seus próprios poderes.
‘Immortals Fenyx Rising’
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Limitação do bem
A limitação do personagem no início funciona muito bem para forçar o jogador a desenvolver suas próprias soluções a problemas que parecem intransponíveis.
O gasto da pequena barra de energia para ações aparentemente simples como escalar uma colina pode irritar os mais impacientes, mas faz com que cada momento seja planejado, e cada vitória, uma conquista de verdade.
Por mais que a força dos inimigos cresçam um pouco com o tempo, no início a ameaça de ciclopes gigantescos ou até de górgonas é real.
Com isso, o sistema de batalhas oferece um equilíbrio gratificante entre simplicidade e complexidade para que até as batalhas mais difíceis sejam possíveis com um pouco de planejamento.
Isso se perde um pouco com o crescimento dos poderes de Fenyx, que pode investir em diferentes habilidades divinas a na melhoria de seus equipamentos – algo que pode ser bom para quem gosta de combate descomplicado, mas que frustra aqueles que preferem um desafio.
‘Immortals Fenyx Rising’
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Quebra a cabeça
Pelo menos o grande mundo aberto é recheado de quebra-cabeças dos mais variados, que ficam entre Fenyx e itens dos mais mundanos a objetivos vitais à trama.
A variedade de seus poderes faz com que cada um desses desafios possa ser superado de maneiras diferentes, e superar um deles de uma maneira que claramente fugiu à mente dos desenvolvedores é muito satisfatório.
O problema é que às vezes alguns deles parecem existir apenas para matar o tempo.
O game não perde muito o tempo ensinando o jogador como agir em cada situação. Então, é compreensível que no começo existam aqueles mais simples, mas encontrar um baú que pode ser aberto ao atirar duas flechas em alvos pouco escondidos após 15 horas de jogo é desanimador.
‘Immortals Fenyx Rising’
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Zeus x Zelda
Se é para copiar alguém, que seja um dos grandes. “Immortals Fenyx Rising” leva isso a sério e faz um trabalho excelente ao se inspirar nos melhores aspectos de “Breath of the wild”.
Depois de algumas horas, no entanto, as inspirações começam a parecer um pouco demais. Além da energia gasta e do visual, mecânicas como a levitação de blocos, a habilidade de planar sobre o mapa ou até de domar montarias passa a parecer um exagero.
Mas talvez seja melhor. Quando tenta ir por um caminho próprio, “Immortals” (ou “Fenyx Rising”, difícil saber como esse título confuso será encurtado pelo público) dá seus tropeços.
Isso fica claro nas piadas jogadas por Zeus e Prometeu, responsáveis pela “narração” da história de Fenyx.
‘Immortals Fenyx Rising’
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Com eles, a Ubisoft até tenta aprofundar um pouco o universo mitológico no qual a trama é inserida, mas se perde em um humor bobo e tosco que tira grande parte da beleza do mundo criado pelos desenvolvedores.
“Immortals Fenyx Rising” mostra que é possível utilizar referências de clássicos para fazer algo novo, mas também serve de aviso para os perigos de ir longe demais na inspiração.
No fim do dia, é um ótimo game, e serve muito bem como substituto para quem não tem um Switch e não pôde jogar uma das melhores aventuras dos últimos anos – mas também perde a chance de se aprofundar em seus próprios méritos e, com isso, tornar algo mais.
‘Immortals Fenyx Rising’
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