Imazon diz que desmatamento na Amazônia subiu 23% em novembro e bateu recorde mensal dos últimos 10 anos

Monitoramento do instituto aponta perda de 484 km² de floresta, área quase do tamanho de Porto Alegre. Quase a metade do total desmatado atingiu as florestas do Pará (48%). Desmatamento na Amazônia: área derrubada é a maior em 10 anos para meses de novembro
A Amazônia perdeu 484 km² de floresta só no mês passado, de acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O número representa um aumento de 23% e é a maior extensão de mata derrubada em um mês de novembro em dez anos, conforme o monitoramento independente do instituto.
A área é quase do tamanho de muitos municípios brasileiros, como Porto Alegre, por exemplo. Se todo o desmatamento fosse reunido em um único trecho, caberia em um retângulo gigante de 48 por 10 quilômetros.
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Quase a metade do total desmatado atingiu as florestas do Pará (48%), principalmente na região cortada pela Rodovia Transamazônica (BR-230). Na sequência aparecem: Mato Grosso (19%), Rondônia (10%), Maranhão (9%), Amazonas (8%), Acre (3%), Roraima (2%) e Amapá (1%).
Ainda segundo o Imazon, 61% do desmatamento ocorreu em áreas particulares e nas chamadas ”florestas públicas sem destinação”, ou seja, onde o governo ainda não determinou a finalidade das terras.
O desmatamento também avançou em unidades de conservação, onde grileiros têm reagido às ações de fiscalização ambiental. Há um mês, um grupo de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, tentou impedir uma operação do Ibama contra crimes ambientais. Essa mesma Terra Indígena foi a mais desmatada em novembro, segundo o Imazon.
O monitoramento do Imazon serve pra emitir alertas para equipes de fiscalização ambiental. Tem a mesma função do Sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apenas em novembro registrou queda de 45% no desmatamento da Amazônia.
Entenda as diferenças entre os sistemas que monitoram o desmatamento na Amazônia
O Imazon explica que é possível existir diferenças pontuais entre os dois sistemas, principalmente quando os dados são comparados entre períodos curtos.
De acordo com o instituto, embora eles possam divergir em um mês, eles geralmente convergem nas tendências ou seja, se os próximos meses continuarem com alta, as tendências de alta vão convergir, embora os números sejam diferentes por causa das metodologias distintas.
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