Ibama determina recolhimento de brigadas de combate a incêndios


Decisão ocorre menos de 1 mês após Salles anunciar a suspensão dos trabalhos e ser desautorizado por Mourão. Ibama manda agentes de combate a incêndios para casa
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) pediu aos agentes de combate a incêndios que interrompam os trabalhos desde a meia-noite desta quinta-feira (22) em todo o país.
A decisão ocorre menos de um mês após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmar que as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e às queimadas no Pantanal seriam suspensas por bloqueio de verbas. O Ibama é subordinado ao ministério.
Horas depois, no entanto, Salles foi desautorizado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que afirmou que “o ministro teve uma precipitação” e a verba não seria bloqueada.
A circular que determina a suspensão dos trabalhos é assinada pelo Chefe do Centro Especializado PREVFOGO/DIPRO, Ricardo Vianna Barreto.
“Determino o recolhimento de todas as Brigadas de Incêndio Florestal do IBAMA para as suas respectivas Bases de origem, a partir das 00:00H (zero hora) do dia 22 de outubro de 2020, onde deverão permanecer aguardando ordens para atuação operacional em campo”, diz o documento.
Queimadas na Amazônia e o no Pantanal
Incêndios na Amazônia: Moradora olha enquanto fogo se aproxima de sua casa perto de Porto Velho, no dia 16 de agosto.
Ueslei Marcelino/Reuters
A suspensão dos trabalhos de combate a incêndios ocorre logo após as queimadas na Amazônia e no Pantanal atingirem marcas recordes neste ano.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de incêndio registrados na Amazônia de janeiro a setembro deste ano foi o maior desde 2010. Naquele ano, foram 102.409 pontos de fogo na floresta de 1º de janeiro a 30 de setembro; em 2020, no mesmo período, foram 76.030.
No caso do Pantanal, também segundo o Inpe, 14% do bioma foi queimado apenas em setembro. Esta também é a maior devastação anual do território causada pelo fogo desde o início das medições, em 2002, pelo governo federal. A área atingida no ano chega a quase 33 mil km², que equivale à soma do território do Distrito Federal e de Alagoas.