Higiene íntima: a falta que o bidê faz

Usar bidê ajudava a reduzir riscos de infecções

Usar bidê ajudava a reduzir riscos de infecções

Pixabay

Posicionado ao lado do vaso sanitário, o bidê era mais do que item obrigatório na decoração dos banheiros de antigamente. Servia como aliado na prevenção de infecções e incômodos na região íntima.

O hábito de fazer a higiene com água e sabão, facilitado pelo uso do bidê, foi paulatinamente sendo abandonado, aumentando os riscos para a saúde.  

Professor titular de urologia da Unicamp, Ubirajara Ferreira, da clínica UroHominis, acredita que o bidê era uma forma de o indivíduo se adaptar para fazer higiene íntima da região do períneo. A ducha presente em alguns projetos arquitetônicos tem a mesma função, mas não está presente em todos os lugares. 

“A ducha higiencia é fundamental. Defecar e deixar restos de fezes causa problemas. As fezes sempre têm bactérias. Se ficam ao redor do ânus causam problemas irritativos, coceira. Obviamente que, se não lavar, vai ficar resto e pode causar uma irritação local”, explica o médico. 

Ducha substituiu o bidê

Ducha substituiu o bidê

Pixabay

Para as mulheres, o risco é ainda maior.  “Essas bactérias podem entrar em contato com a vagina, subir até uretra e causar cistite. A cistite normalmente é causada por bactérias intestinais, como a  E.coli, que vem de fora para o canal.  No caso da vagina também é importante ressaltar que mulher tem bacilos naturais e se houver contaminação podem levar a uma infecção”, detalha Ferreira.

Rogério Tadeu Felizi, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, reitera que a anatomia do sistema reprodutor feminino e sua proximidade ao trato gastrointestinal (anus) torna o corpo feminino mais sensível à falta de higienização. 

“Devido à grande proximidade da região genital feminina ao ânus, frequentemente esta pode ser contaminada por microorganismos presentes no trato gastrointestinal. Isso é mais comum em crianças que ao fazer sua higiene intima podem levar bactérias do ânus para região genital, também é muito frequente em mulheres acamadas ou que necessitam fazer uso de fraldas. Nesses casos a lavagem é fundamental para evitar as infecções genitais”, explica o médico. 

Para Felizi, a utilização de duchas higiênicas após as evacuações pode ajudar na diminuição de microorganismos na região vulvar e consequente contaminação da região genital por bactérias do trato gastrointestinal provenientes da região anal. “Quando não é possível a lavagem desta região muitos profissionais sugerem a utilização de lenços umedecidos”, recomenda.

Na opinião do urologista Ubirajara Ferreira, todos os banheiros, principalmente os comunitários, deveriam ser obrigados a ter duchinha.