Guta Stresser fala sobre conviver com esclerose múltipla: ‘Diagnóstico não é sentença’


Atriz, a Bebel na série ‘A Grande Família’, disse que considera cada dia uma pequena vitória. Guta Stresser
Reprodução/Instagram
A atriz Guta Stresser, que interpretou a personagem Bebel, em “A Grande Família”, falou sobre como recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla e a sua convivência com a doença, em um depoimento à revista “Veja”. “Sei que vou ter de conviver com a esclerose múltipla para o resto da vida. Que ela seja longa e plena. Cada dia que passa tem aquele gosto de uma pequena vitória.”
Bruce Willis aparece em primeira foto depois de diagnóstico de afasia
Guta contou que os primeiros sintomas surgiram quando participou de “Dança dos Famosos”, em 2020. Segundo a atriz, durante ensaios, começou a esquecer as coreografias assim que terminava, apesar de sempre ter tido facilidade em memorizar movimentos. Na ocasião, não levou esses esquecimentos a sério.
Depois, no entanto, começou a esquecer palavras básicas, como ‘copo’ e ‘cadeira’, sentia dores musculares quando ficava duas horas parada assistindo TV, além de formigamentos nos pés e nas mãos, enxaqueca e variação de humor. “O pior era um zumbido constante no ouvido. Parecia que havia ali um fio desencapado, provocando um curto-circuito na minha cabeça — algo como ‘tzuin, tzuin'”, contou à publicação.
“Cheguei a pensar que poderia ser Covid-19 ou sintomas relacionados à menopausa, já que estou entrando nessa fase. E aí levei um tombo na sala de casa que me acendeu um alerta. ”
A atriz procurou um otorrinolaringologista e insistiu em fazer uma ressonância magnética. Com o exame, veio o diagnóstico de esclerose múltipla, doença crônica e autoimune, em que o sistema imunológico ataca a bainha de mielina que envolve os neurônios, o que compromete a função do sistema nervoso.
“Perdi o chão na mesma hora. Nem sabia direito o que era aquilo, só que afetava o cérebro, e só isso me soou aterrorizante”, disse. O maior medo, segundo ela, era ficar incapacitada. “Com a ajuda do neurologista, entendi que diagnóstico não é sentença e que, apesar da doença não ter cura, ela tem, sim, tratamento”, disse.
“O primeiro passo foi tomar um remédio caríssimo, que só consigo obter graças ao Sistema Único de Saúde, ao qual sou, aliás, bastante grata”, conta.
Segundo ela, o medicamento a mantém equilibrada e sem crises. Ela também tem praticado ioga, melhorou a alimentação e faz exercícios para o cérebro, que vai de leitura de livros a palavras cruzadas. “Mais recentemente, incluí no tratamento óleo de CBD, um derivado de maconha que é felizmente legalizado e tem se revelado promissor”, diz.
Com o tratamento, os resultados dos exames têm indicado um quadro estável e Guta diz não se render. “Desde os 13 anos, me entendo como atriz”, afirma. Ela participou recentemente de episódios da série “How to be a Carioca”, que vai estrear pela Star+, e fez uma montagem da peça “O Casamento”, de Nelson Rodrigues. “Sei que vou ter de conviver com a esclerose múltipla para o resto da vida. Que ela seja longa e plena. Cada dia que passa tem aquele gosto de uma pequena vitória.”