Guerra comercial entre EUA e China beneficia Brasil no curto prazo, diz CNI

Disputa entre os países elevou exportações brasileiras em US$ 8,1 bilhões em 2018, segundo a entidade. A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China traz benefícios para o Brasil no curto prazo, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (9). A disputa entre as duas maiores economias do mundo, que elevou tarifas de importação entre eles, ‘turbinou’ as exportações brasileiras em R$ 8,1 bilhões em 2018, de acordo com a entidade.
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“Por princípio, uma guerra comercial não é boa nem indicada para nenhum país no médio e longo prazo, mas no curto prazo, o Brasil tem sido beneficiado”, diz a CNI em nota. A entidade aponta que as vendas brasileiras ao exterior passaram de US$ 22,589 bilhões em 2017 para US$ 30,706 bilhões no ano passado.
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O principal impacto da guerra comercial no Brasil foi o aumento das exportações para a China – em especial no caso da soja: produtores chineses compraram no ano passado US$ 7 bilhões a mais que em 2017.
“A penetração de produtos brasileiros para os Estados Unidos também aumentou de um ano para o outro, mas não percebemos relação direta com a disputa entre eles”, diz em nota o gerente-executivo de Assuntos Internacionais da CNI, Diego Bonomo.
Percentualmente, o maior crescimento foi registrado nas vendas do tabaco para fumar, de 521%. Os americanos também perderam mercado para os brasileiros em produtos como milho e lagostas congeladas – no caso desses produtos, as exportações brasileiras cresceram 376,3% e 327,8%, respectivamente.
“Percebemos que a China fez um lista bem cirúrgica, atacando produtos americanos importantes. O caso da lagosta é icônico. O estado americano do Maine praticamente não exporta mais lagosta para os chineses”, diz Bonomo.
O Brasil também ganhou mercado na China em carne bovina, pedaços e miudezes de galos e galinhas, algodão, sucos de laranja, caixas de marchas e suas partes para veículos e automotores, castanha do Pará e peixes ornamentais.
O levantamento da CNI também mostra, no entanto, desvio de mercado das exportações chinesas para o Brasil. As importações brasileiras da lista de produtos da China, que sofreram com aumento de alíquota do governo Trump, cresceram 12% de 2017 para 2018., passando de US$ 13,7 bilhões para US$ 15,4 bilhões. Entre eles, destacam-se eletroeletrônicos, produtos químicos e plásticos.