Guarulhos e São Caetano suspendem aulas presenciais da rede municipal após recomendação do governo


Prefeitura de Guarulhos informou que não há data de retorno prevista. Já em São Caetano, a interrupção das aulas presenciais acontece de 15 a 26 de março. Governo do estado antecipou recesso escolar de outubro e abril para março. VÍDEO: Governo de SP anuncia novas medidas de restrição para combater transmissão da Covid
A Prefeitura de São Caetano do Sul e a Prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, anunciaram nesta quinta-feira (11) que suspenderam as aulas presenciais na rede municipal de ensino.
As decisões acontecem em meio ao risco de colapso do sistema de saúde por causa da pandemia de coronavírus e depois do anúncio do governo de São Paulo de antecipar o recesso escolar de abril e outubro para 15 a 28 de março, período nomeado como fase emergencial do plano São Paulo de combate ao coronavírus.
Em Guarulhos, a Prefeitura informou que as aulas presenciais estão suspensas na rede pública municipal sem data para retorno. As atividades educacionais à distância seguem sem alteração, de acordo com o calendário escolar.
Já em São Caetano, a interrupção das aulas presenciais acontece de 15 a 26 de março. As aulas online seguirão normalmente no período. A decisão não afeta escolas particulares.
O G1 procurou as prefeituras as demais cidades da Grande São Paulo e a capital e aguarda posicionamento.
Na rede estadual, segundo o governo do estado, as aulas presenciais nas escolas estaduais serão suspensas e as unidades ficarão abertas apenas para merenda dos alunos e retirada de chips a partir do dia 15 de março.
Segundo o secretário da Educação, Rossielli Soares, o recesso não causará prejuízo no calendário escolar, já que os alunos não terão atividades obrigatórias e devem permanecer em casa.
“O que a gente está falando é que a fase vermelha na Educação, nós temos um decreto próprio e continuamos com as mesmas regras. Então se a escola precisar fazer um atendimento presencial, seja ela da rede estadual, da rede municipal, da rede privada, ela poderá fazer a atividade. Nós não estamos mudando a regra de até 35% das escolas”, diz Rossielli.
Pelas regras do Plano São Paulo, durante a fase vermelha, as instituições podem receber alunos presencialmente respeitando o limite de 35% da capacidade total.
O secretário disse ainda que estudam a possibilidade de antecipar as férias escolares também.
“Nesse momento temos muito poucos alunos nas escolas, mas em outubro. se Deus quiser. estaremos muito melhor e poderemos ter muito mais estudantes. Por que parar lá na frente se terei nesse momento a possibilidade de diminuir a desigualdade, certamente com muito mais pessoas vacinadas e numa condição melhor? Temos nesse momento que fazer um sacrifício e aproveitar os momentos que teremos mais pra frente. Por isso, a recomendação para a rede particular é para que também negocie com seus professores e busque antecipar as férias de meio do ano. E se for necessário poderemos fazer isso lá na frente.”
Governo de SP anuncia fase emergencial da quarentena no estado
Reprodução/TV Globo
Fase emergencial
A fase emergencial, que prevê regras mais rígidas de funcionamento da fase vermelha da quarentena. As medidas passam a valer a partir de 15 de março e devem permanecer até o dia 30.
A gestão de João Doria (PSDB) suspendeu a liberação para realização de cultos, missas e outras atividades religiosas coletivas, além de todos os eventos esportivos, como jogos de futebol, e instituiu o toque de recolher das 20h às 5h.
No entanto, o governo estadual não esclareceu o que muda com a alteração do “toque de restrição” para o “toque de recolher”. Quando foi anunciado o chamado “toque de restrição”, o governo anunciou a criação de uma força-tarefa para ampliar a fiscalização dos estabelecimentos, mas a Polícia Militar não foi incumbida de proibir a circulação de pessoas no horário restrito.
Alguns serviços que estavam na lista dos considerados essenciais, como lojas de materiais de construção, foram excluídos e deverão permanecer fechados.
Foi ainda determinado o teletrabalho obrigatório para atividades administrativas não essenciais, e vetada a retirada presencial de mercadorias em lojas ou restaurantes. Apenas serviços de delivery poderão operar.
Governo de SP aumenta restrições de 14 atividades; veja a lista
Divulgação Governo de SP
O que muda:
Atividades religiosas como missas e cultos não poderão mais ocorrer presencialmente
Campeonatos esportivos, como jogos de futebol, ficam suspensos
Escolas da rede estadual ficarão abertas apenas para oferta de merenda. Rede privada poderá atender alunos de pais que precisam trabalhar fora, com limite de 35% da capacidade
Lojas de material de construção não poderão abrir
Teletrabalho obrigatório para atividades administrativas não essenciais
Estabelecimentos não poderão operar com serviço de retirada presencial, apenas delivery
Crise sanitária
Doria abriu a coletiva com tom pesaroso dizendo que o estado chegou ao momento mais crítico da pandemia e mostrou um vídeo com pessoas internadas em hospitais com lotação máxima.
“Eu, pessoalmente, estou bastante triste em anunciar o que temos que anunciar antes aqui mas a nossa prioridade desde março do ano passado foi e continua sendo preservar as pessoas, preservar vidas”, disse o governador.
O secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou que o estado enfrenta o pior momento da pandemia.
“Hoje, 53 municípios estão com 100% na taxa de ocupação. Lembrando que na segunda-feira nós tínhamos 31 municípios nesta situação.”
No início da semana, a Justiça já havia proibido a convocação de professores para atividades presenciais em escolas públicas e privadas do estado.
O fechamento de todos os setores, inclusive das escolas, chegou a ser defendido pelo procurador-geral de Justiça, Mario Luiz Sarrubbo, que enviou uma recomendação ao governador.
Desde o último sábado (6), todo o estado está na fase vermelha, considerada até então a mais restritiva pelo Plano SP.
Pela regra, a fase vermelha autoriza apenas o funcionamento de setores da saúde, transporte, imprensa, estabelecimentos como padarias, mercados, farmácias e postos de combustíveis.
As escolas e atividades religiosas tinham sido incluídas na lista por meio de decretos estaduais. (veja a lista completa mais abaixo).
Leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) contra Covid-19 do Hospital de Campanha Ame Barradas, montado em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, nesta segunda- feira, 08 de março de 2021
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Mortes à espera de UTI
Apesar da fase vermelha, a situação no estado se agrava a cada dia.
Levantamento feito pelo G1 nesta quarta-feira aponta que ao menos 38 pacientes com Covid-19 morreram na fila de espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado de São Paulo nestes primeiros nove dias de março.
As mortes de pacientes que aguardavam liberação de leitos intensivos ocorreram em cidades localizadas na Grande São Paulo e no interior do estado.
Recordes
São Paulo teve nesta quarta (10) a maior média móvel de mortes de toda a pandemia. O índice superou o recorde de agosto de 2020, quando o índice chegou a 289 mortes diárias, pelo terceiro dia seguido.
A média móvel, que leva em consideração os registros dos últimos sete dias e minimiza as diferenças das notificações, foi de 312 óbitos por dia nesta quarta.
Foi a primeira vez que o índice supera 300 mortes. O número representa um aumento de 34% em relação ao verificado há 14 dias, o que, segundo os especialistas, indica tendência de alta.
Cidades do ABC paulista estão praticamente sem vagas disponíveis de UTI
O estado registrou também 517 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24h, além de 16.058 novos casos confirmados da doença.
A taxa de ocupação de UTIs do estado de São Paulo também alcançou seu maior índice histórico, com 82% dos leitos ocupados. Na Grande São Paulo, a taxa média é de 83,6%.
A lotação também abala a rede particular da capital paulista. Nesta terça, o hospital Sírio-Libanês divulgou medidas para ampliar a acomodação de pacientes com Covid-19, dada a elevada taxa de ocupação de leitos.
Foram suspensas cirurgias eletivas estéticas e funcionais e de intervenção guiada por imagem, além de exames também eletivos de colonoscopia, endoscopia, broncoscopia e exames ambulatoriais de polissonografia.
Na rede pública da capital, a prefeitura vai começar a transferir pacientes sem Covid da rede municipal para hospitais particulares e liberar leitos para a doença no SUS.
O que pode funcionar na fase vermelha:
Escolas privadas, com 35% da capacidade
Hospitais, clínicas, farmácias, dentistas e estabelecimentos de saúde animal (veterinários)
Supermercados, hipermercados, açougues, lojas de suplemento, feiras livres.
Delivery e drive-thru para padarias das 20h às 5h; no restante do dia, funcionamento normal.
Cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis
Empresas de locação de veículos, oficinas de veículos, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos
Serviços de segurança pública e privada
Construção civil e indústria
Meios de comunicação, empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens
Outros serviços: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica e bancas de jornais.
Drone mostra movimento em São Paulo no 1º dia útil de fase vermelha
Vídeos: Tudo sobre São Paulo e região Metropolitana