Grupo Ordinarius celebra cantoras e compositoras desbravadoras no álbum ‘Paralelas’


Septeto carioca reúne músicas de Dolores Duran, Dona Ivone Lara, Fátima Guedes, Joyce Moreno, Maysa e Marisa Monte no quinto disco. ♪ Quinto álbum do grupo carioca Ordinarius, Paralelas soa como desdobramento do disco anterior do septeto, Notável (2017), lançado há três anos. Em Notável, o grupo abordou o repertório de Carmen Miranda (1909 – 1955) para celebrar as conquistas da primeira cantora popstar do Brasil.
Em Paralelas, disco lançado em CD na sequência da edição digital apresentada em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Ordinarius dá vozes ao cancioneiro de cantoras que abriram caminhos na música brasileira, sobretudo como compositoras.
O álbum Paralelas marca a entrada de Antonia Medeiros e Beatriz Coimbra no grupo. Substitutas de Fernanda Gabriela e Rebeca Vieira, as vocalistas se juntam a Augusto Ordine (diretor musical e arranjador do disco), Fabiano Salek, Maíra Martins, Mateus Xavier e Matias Correa.
Embora tenha saído do grupo para priorizar outros projetos profissionais, Rebeca Vieira faz participação no álbum Paralelas na gravação de Estrada do sol (1958) – música de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) letrada pela pioneira Dolores Duran (1930 – 1959) – que incorpora o tema de jazz Take five (Paul Desmond, 1959).
Capa do álbum ‘Paralelas’, do grupo Ordinarius
Divulgação
No disco, gravado no estúdio carioca Umuarama de janeiro a novembro de 2019, o Ordinarius alinha composições de artistas desbravadoras como Dona Ivone Lara (1922 – 2018) – representada pelo samba Alguém me avisou, de 1980 – e Joyce Moreno (Feminina, samba emblemático na revolução feminina que agitou a MPB em 1979).
Maysa (1936 – 1977) figura no repertório com o samba-canção Ouça (1957). Teresa Cristina é lembrada com Cantar (2007). Rita Lee entra na dança com Baila comigo (1980). Fátima Guedes tem Flor de ir embora (1990) regada pelas vozes do grupo Ordinarius.
Rosa Passos é reverenciada com o samba Dunas (1993), parceria com Fernando de Oliveira. Já Bandolero (1978) celebra a independência artística da dupla formada por Luhli (1945 – 2018) com Lucina na década de 1970.
De Marisa Monte, o septeto canta Blanco (1996), música composta pela artista a partir de poema do mexicano Octavio Paz (1914 – 1998) em tradução de Haroldo de Campos (1929 – 2003).