Grupo feminino Muxima Muato vai de Chiquinha Gonzaga a Fátima Guedes no disco ‘Coração de mulher’


♪ No dialeto africano quimbundo, a palavra muxima significa coração. Já muato é termo que pode ser traduzido por mulher na língua portuguesa. Ao juntar as duas palavras no nome do grupo que idealizou e que aglutinou em 2018, a cantora carioca Dorina expressa as intenções da banda feminina Muxima Muato.
Tais intenções também estão explicitadas ao longo das sete faixas que compõem o primeiro disco do grupo, cujo título Coração de mulher é a tradução para o português do nome do grupo em quimbundo.
No EP lançado nesta terça-feira, 20 de abril, Bia Aparecida (voz), Carol D’Ávila (flauta e saxofone), Dorina (voz), Georgia Camara (percussão e bateria), Nina Rosa (voz), Samara Líbano (violão de sete cordas) e Yasmim Yayá Alves (cavaquinho) apresentam repertório feminino que vai da pioneira compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935) a Fátima Guedes, passando pela dupla Luhli & Lucina e por Socorro Lira.
De Chiquinha, Muxima Muato aborda com a linguagem do choro a composição instrumental Forrobodó, tema-título de burleta estreada em 1912 com trilha sonora assinada pela maestrina.
De Fátima Guedes, o grupo apresenta Peço desculpas em gravação que transita entre o ijexá e o maracatu. Revelada pela compositora carioca na internet em 2019, a música Peço desculpas era até então inédita em disco.
Inéditos também são o jongo Negra linda (Déa Santtos e Hamilton Fofão) e o ijexá Rio ou oceano (Raul Di Caprio e Yasmin Alves).
Entre as regravações do disco Coração de mulher, há Êta nóis – música de Luhli (1945 – 2018) e Lucina, apresentada em 1984 em álbuns da dupla e de Ney Matogrosso – e o samba Perdeu (2012), parceria de Ana Costa com Mu Chebabi, além de Poema didáctico (Socorro Lira sobre versos de Mia Couto, 2014).
O disco Coração de mulher bate na frequência feminina do Muxima Muato e da música brasileira feita por mulheres.