Governo critica entrevistas de Petra Costa, diretora de ‘Democracia em vertigem’, nos EUA


Ela falou sobre governo brasileiro para o jornalista Hari Sreenivasan, da emissora americana PBS. Filme foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Petra Costa, nos bastidores de ‘Democracia em vertigem’
Divulgação
O perfil da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) no Twitter comentou nesta segunda-feira (3) entrevistas da cineasta Petra Costa feitas nos Estados Unidos. Ela é diretora de “Democracia em Vertigem”, indicado ao Oscar 2020 de Melhor Documentário.
“Nos Estados Unidos, a cineasta Petra Costa assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País no exterior. Mas estamos aqui para mostrar a realidade. Não acredite em ficção, acredite nos fatos”, escreveu a Secom em sua rede social.
A Secom publicou um vídeo e também mensagens em português e em inglês. “É inacreditável que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras e com previsões absurdas para denegrir um país só por ela não aceitar o resultado das eleições”, comentou a Secom.
Os tuítes fazem referência a uma entrevista de Petra para o jornalista Hari Sreenivasan, da emissora americana PBS.
O G1 entrou em contato com a assessoria de Petra Costa, que disse que a diretora “não vai se pronunciar”.
“Desde que Bolsonaro foi eleito, a taxa de homicídios cometidos por policiais no Rio teve uma alta de 20%… É um genocídio da população negra brasileira”, disse Petra na entrevista.
“Ninguém sabia que tinha uma onda vindo. De repente o Partido dos Trabalhadores começaram a receber mensagens: ‘é verdade que [seu candidato] está fazendo rituais satânicos?’ Muitos brasileiros estavam mudando seus votos de última hora devido as fake news”, comentou a diretora.
A Secom responde pela comunicação do Planalto, o que inclui as verbas de publicidades. A estrutura está vinculada à Secretaria de Governo, comandada pelo ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz.
“Democracia em vertigem” mostra o processo de impeachment de Dilma Rousseff e a crise política no Brasil. O filme foi lançado em junho de 2019.
A diretora mineira Petra Costa, de 36 anos, fez os documentários “Elena” (2012) e “Olmo e a gaivota” (2014), premiados respectivamente nos festivais de Brasília e do Rio. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.