Giancarlo Esposito vive novo vilão em ‘Far Cry 6’ e chama jogadores para briga: ‘Desafio vocês a me enfrentar’


Em entrevista ao g1, intérprete de antagonistas famosos de ‘Breaking Bad’ e ‘The Mandalorian’ fala sobre interatividade e dar vida a homens cruéis mesmo sendo um cara legal. Giancarlo Esposito fala sobre a experiência de viver vilão digital em “Farcry 6”
Aos 63 anos, o ator Giancarlo Esposito é conhecido pelo ódio e medo – não necessariamente nessa ordem – que provoca no público de séries celebradas como “Breaking Bad”, “The Mandalorian” e “The Boys” ao interpretar vilões memoráveis.
Mas basta cinco minutos de conversa para ver que ele é um cara legal.
Tanto que, a partir desta quinta-feira (7), oferece a seus fãs a chance de acertarem as contas com ele pessoalmente com o lançamento de “Far Cry 6”, novo capítulo de uma franquia de games de tiro em primeira pessoa marcada principalmente por seus grandes antagonistas.
G1 jogou: ‘Far Cry 6’ traz vilão complexo e mundo aberto rico, mas repetitivo
Ele, é claro, dá vida ao vilão principal do jogo, um ditador cruel de uma ilha caribenha que não tem problema em escravizar o próprio povo para atingir seus objetivos.
Em entrevista ao g1, uma das poucas realizadas sobre o projeto, o homem que ajudou a eternizar o metódico e frio Gus Fring, de “Breaking Bad” e “Better call Saul”, celebra a oportunidade de um contato inédito com o público. Assista ao vídeo acima.
“Sabe, é fascinante, porque funciona pros dois lados. E no cinema e na TV é apenas um. Com o game, são os dois lados”, afirma Esposito, depois de uma calorosa risada.
Segundos depois, invoca o tom do dono dos Pollos Hermanos para chamar os jogadores para a porrada.
“Isso que é maravilhoso sobre esse jogo. Eu literalmente digo: ‘Eu te desafio a me enfrentar. E te convido. É como um duelo. Veja se você tem o cérebro, a esperteza, a paixão, a coragem, a convicção, o poder, para enfrentar Antón Castillo’.”
Antón Castillo, interpretado por Giancarlo Esposito, é o vilão de ‘Far Cry 6’
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Vilão de família
No jogo lançado para Xbox Series X e S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4, Stadia e computadores, jogadores assumem o papel de um revolucionário relutante, que se junta a um grupo de guerrilheiros para libertar a ilha fictícia de Yara do controle do ditador.
Para Esposito, que já interpretou de líderes de cartel a um CEO maligno e até Moff Gideon, comandante do que restou do Império Galáctico do universo de “Star Wars” em “The Mandalorian”, Castillo apresenta a chance inédita de construir um vilão com a missão paralela de treinar o filho para um dia assumir o poder.
Pai de quatro filhas, o ator buscou inspiração no próprio relacionamento com elas para dar vida ao personagem.
“Antón, e sua relação com o Diego, tem todas essas aspirações para o garoto neste jogo. É tão fabuloso. Ele tem uma janela de tempo. Há uma revolução acontecendo. Esse cara é amor duro”, conta Esposito.
“‘Você tem que crescer rápido. Aqui está a história do que aconteceu comigo. Eu estou te preparando para ser o próximo líder. E se os revolucionários ganharem?'”
“São todas essas outras coisas que você tem que pensar. E eu apenas amo a ideia, ou a experiência de ter me envolvido nisso. Porque eu usei muito da minha vida, e eu aprendi tanto com minhas filhas. Porque comecei a calar a boca e ouvir o que elas têm a dizer.”
Um dos pôsteres de propaganda do regime de Castillo, que aparece com o filho Diego, espalhados pela ilha em ‘Far Cry 6’
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A chavinha de Giancarlo
Para chegar ao ator, os desenvolvedores da Ubisoft passaram por testes com diversas outras pessoas. Mas o desejo de ter Esposito como o grande vilão acompanhou a equipe desde o começo, quando o personagem ainda nem estava totalmente formado.
Na verdade, durante todo o processo eles nem tinham certeza se o ítalo-americano nascido na Dinamarca ia aceitar o convite. Mas o diretor de narrativa do game, Navid Khavari, conta que sabia que não tinha muita alternativa desde que começou a ouvir o ditador falando com a voz do ator.
“Não estávamos interessados em Gus Fring ou Moff Gideon. O que é ótimo, quando você o conhece, e algo também que ele trouxe para o personagem, é que ele é tão energético e é charmoso e cheio de exuberância. Isso também formou o Antón”, conta o desenvolvedor.
“Porque o Antón se transformou em alguém que publicamente consegue fazer todo mundo se apaixonar por ele. E o Giancarlo tem essa chavinha, que permite que ele se transforme na pessoa mais aterrorizante que você já conheceu. Então essa dualidade, esses dois lados de uma moeda, foi algo que Giancarlo criou, e algo que eu acho que ninguém nunca viu em um vilão de ‘Far Cry’ antes.”
Em ‘Far Cry 6’, o jogador explora a ilha caribenha de Yara
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