‘Ghost of Tsushima’ conta história de samurai com respeito à cultura japonesa, diz diretor


Desenvolvedora americana Sucker Punch se preocupou em honrar tradições e combate, diz Nate Fox. Game exclusivo de PlayStation 4 é lançado nesta sexta-feira (17). Em uma época em que apropriação cultural é tão discutida, faz sentido que os desenvolvedores de “Ghost of Tsushima” se preocupem tanto em mostrar que respeitam as tradições japonesas no game. O lançamento do novo exclusivo de PlayStation 4 acontece nesta sexta-feira (17).
‘Ghost of Tsushima’ leva samurais a mundo aberto rico com combates dinâmicos; G1 jogou
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“Sabíamos ao começar que não tínhamos a experiência para fazer isso da forma mais original possível, então procuramos especialistas na área, o que ajudou muito”, conta o diretor criativo do game, Nate Fox.
Parte da equipe da desenvolvedora americana Sucker Punch desde 2009, ele foi responsável também pela franquia “Infamous”, e estava lá quando a empresa foi comprada pela Sony, em 2011.
A relação com a gigante japonesa, aliás, facilitou o trabalho do estúdio, ao colocá-los em contato com peritos sobre a cultura da região no século 13, período da história do game.
Veja o trailer dublado de ‘Ghost of Tsushima’
A responsabilidade fica maior ainda se considerar que os dois outros grandes jogos sobre o Japão feudal lançados nos últimos anos, “Sekiro: Shadows die twice” e “Nioh 2”, foram criados por empresas japonesas.
Com isso em mente, parte do time foi enviada para o país, em um trabalho para reconhecer as peculiaridades locais.
Do trabalho, que inclui a coleta de sons da natureza e o escaneamento da flora, saiu a reprodução – em escala, é claro – da ilha de Tsushima, cenário real da invasão mongol retratada no game.
A ilha é recriada em ‘Ghost of Tsushima’
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Retrato da guerra
No game de ação com elementos de RPG na terceira pessoa, o jogador controla Sakai Jin, um guerreiro que sobrevive ao ataque dos invasores no final do século 13. Sozinho contra um exército gigantesco e vitorioso, ele deve recrutar aliados para tentar expulsar o império e salvar o resto do país.
Com essa difícil missão, ele se vê dividido entre o dever de manter o código de honra dos samurais e táticas de guerrilha e de terror, como furtividade e sabotagem, no grande dilema da história (que não conta com modo multiplayer).
O conflito pode ter existido de verdade, mas os personagens que estrelam o game são todos fictícios – mais um esforço para evitar desrespeitos à história.
Tanto que o antagonista mongol principal, Khotun Khan, nunca existiu. Além dessa mudança, as tropas coreanas que constituíam grande parte das forças estrangeiras que ocuparam a ilha não são mencionadas em “Ghost of Tsushima”.
Em ‘Ghost of Tsushima’, algumas batalhas são resolvidas com um único golpe de espada
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Sangue, lama e vísceras
Mais segura em relação à questão da apropriação cultural, a equipe focou na experiência de colocar o jogador na pele de um samurai. Para isso, tinham como princípio a liberdade e o combate.
“Você não é obrigado a escolher como jogar, de uma maneira ou de outra. Sempre tem todas elas à sua disposição”, diz Fox.
Isso porque com a evolução da trama, Jin se aproxima do Fantasma do título ao desenvolver habilidades furtivas parecidas às de um ninja.
O jogador pode escolher entre enfrentar os inimigos diretamente ou de forma furtiva em ‘Ghost of Tsushima’
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Mesmo assim, cada confronto é letal, com forte inspiração em filmes do gênero, como clássicos do diretor Kurosawa Akira (1910-1998).
“Tínhamos uma frase para descrever o combate, que era sangue, lama e vísceras. É importante lembrar que a espada é letal. Em dois golpes você pode matar alguém, ou então ele vai te matar”, afirma o diretor.
“Isso faz parte de se sentir um samurai.”
Jin é o herói de ‘Ghost of Tsushima’
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