Gal Costa e Tim Bernardes deixam ‘tudo azul’ no dueto em ‘Baby’


Single com regravação da canção de 1968 é valorizado pelo arranjo e produção musical do artista paulistano. Capa do single ‘Baby’, de Gal Costa e Tim Bernardes
Divulgação
Resenha de single
Título: Baby
Artistas: Gal Costa e Tim Bernardes
Compositor: Caetano Veloso
Edição: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
♪ Embora composta por Caetano Veloso para Maria Bethânia, a canção Baby (1968) acabou associada à voz de Gal Costa de forma tão emblemática que a inédita gravação feita pela cantora com Tim Bernardes – apresentada em single programado para sexta-feira, 8 de janeiro – já é o oitavo registro fonográfico da música na discografia de Gal.
A gravação anterior, feita ao vivo com o cantor Rubel e lançada em single em julho de 2020, foi registro ao vivo captado em show de forma casual – registro banal que jamais deveria ter sido incorporado à obra oficial de Gal.
Já o single com Tim Bernardes apaga a má impressão da gravação anterior de Baby. O registro original do álbum Tropicália ou Panis et Circensis (1968) – reaproveitado no primeiro álbum solo da cantora, Gal Costa (1969) – continua imbatível. Contudo, o dueto de Gal com Tim Bernardes escapa da trivialidade pelo arranjo desse talentoso artista revelado no trio paulistano O Terno.
Em 2019, Tim já mostrou que sabe abordar o repertório de Gal com personalidade e sensibilidade no melhor episódio da quinta temporada do programa de TV Versões, do Canal Bis.
Mesmo sem atingir densas regiões emocionais com o canto, como de hábito, porque a canção é leve e prescinde dessa densidade, Tim Bernardes marca bela presença no álbum comemorativo dos 75 anos de Gal, idealizado por Marcus Preto e previsto para ser lançado pela gravadora Biscoito Fino em LP e CD, em fevereiro, na sequência das paulatinas edições dos dez singles.
Além de ter posto voz, ouvida a partir do primeiro dos quatro minutos da gravação, Tim tocou violão e – mais importante – atuou com produtor musical e arranjador do single, orquestrando as violas e violinos tocados por Felipe Pacheco Ventura, coprodutor do fonograma.
Feitas sem invenção de moda, mas tampouco sem clonagem dos arranjos dos registros anteriores da canção, as intervenções das cordas revitalizam Baby sob a orquestração de Tim Bernardes, compositor do estilizado ijexá Realmente lindo, gravado por Gal no álbum A pele do futuro (2018).
Não, não há muito o que inventar em Baby, mas, dentro do possível (e dos limites do orçamento do disco), Tim se movimenta com inteligência como arranjador e produtor musical do single. Tanto que, em 2021, Baby soa com mais frescor do que em 1983, ano da modernosa abordagem da canção no álbum Baby Gal (1983), por exemplo.
“Vai tudo azul” no dueto de Gal Costa com Tim Bernardes na emblemática canção de 1968.