Funk rave, anunciado por Anitta como novidade, foi criado há 2 anos e é febre em bailes; conheça


Cantora foi criticada por anúncio de música com Major Lazer e MC Lan. ‘Não teve o reconhecimento’, diz pioneiro da vertente, que mistura funk e música eletrônica. Anitta em foto para divulgar ‘Rave de favela’
Reprodução/Twitter
“Já pensou em misturar rave com funk? Sexta-feira, eu, Major Lazer e MC Lan vamos mostrar pra vocês como fica.”
O anúncio feito por Anitta sobre “Rave de favela”, música que saiu nesta sexta (14) e é uma de suas apostas para o carnaval, recebeu críticas no Twitter porque, sim, muitas pessoas já pensaram – e fizeram – essa mistura.
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O funk rave começou a tocar em bailes de favelas pelo país há cerca de dois anos. Hoje, é vertente em alta do gênero, febre também em baladas e festas universitárias.
Antes de Anitta, outros no pop brasileiro experimentaram o ritmo. Em fevereiro do ano passado, Kevinho lançou “É rave que fala né”. Também em 2019, Dani Russo teve “Bumbum na rave”. Ambas foram parcerias com MC Hollywood, um dos principais representantes do movimento.
Mas o nome mais importante é o do DJ GBR, de São José dos Campos (SP), considerado pioneiro do funk rave. Foi ele quem organizou as referências de música eletrônica no batidão do funk para criar o beat agressivo com grave pesado, que é marca do estilo.
Geralmente, suas músicas começam com bases eletrônicas de DJs famosos e emendam batidas e vocais de funk. GBR também é um dos criadores do projeto Rave dos Fluxos, que reúne MCs em medleys de funk rave.
No Twitter, depois dá publicação de Anitta, ele reivindicou a autoria do estilo. “Pra mim é muito gratificante ver artistas de nome seguindo um ritmo que criei, mas todo mundo sabe que quem fez a mistura fui eu, dois anos atrás”, escreveu.
“Para os fãs da Anitta, jamais quero dizer que ela está errada. Pra mim é muito bom ver isso, nunca imaginei que chegaria a esse ponto um dia. Ela só não teve o reconhecimento de falar quem criou ou quem misturou…. só isso.”
“Rave de favela” é a terceira parceria de Anitta com o Major Lazer, trio de música eletrônica formado atualmente por Diplo, Walshy Fire e Ape Drums. MC Lan, que completa o feat, tem trabalhos em parceria com GBR. O mais recente deles, a música “Rave de carnaval”, saiu em janeiro deste ano.
‘Tuntz tatz’ e ‘tchu tcha’
O DJ GBR, considerado pioneiro do funk rave
Reprodução/Instagram
Antes de GBR, já existia o eletro funk, que fez sucesso na primeira metade dos anos 2010 com artistas como MC Mayara, Ele é simplesmente a junção do “tuntz tatz” da música eletrônica com o “tchu tcha tchu tchu tcha” do funk, explica o DJ e produtor paulista Léo Alves.
Já o funk rave inclui outros elementos. “Ele vem dos paredões, os carros de som dos bailes de favela e de outras festas. Você não só ouve a música, mas também sente a vibração do grave. Isso é bem característico do estilo”, completa.
Léo é o responsável pelo podcast de funk mais ouvido do Spotify, o “Só toca funk”. Nele, o DJ apresenta uma sequência de músicas de diferentes vertentes do gênero, incluindo o funk rave.
Algumas das faixas escolhidas não estão no catálogo oficial da plataforma, por causa de um entrave jurídico. Muitos dos samples – trechos instrumentais tirados de outras músicas – são usados no funk rave sem autorização e podem ser pegos pelo radar dos direitos autorais musicais.
Também por isso, a audição dessas músicas na internet não gera dinheiro aos artistas, que lucram com shows e marketing. Para Léo, a atenção gerada por Anitta pode ajudar a rentabilizar o negócio.
“Ela teve uma boa sacada. Vai transformar isso numa vertente totalmente original, que vai rentabilizar. Talvez, o que faltou foi uma parceria, [faltou falar]: ‘Pô, você é o cara do funk rave, GBR? Então vamos fazer uma música juntos.”