Funcionários dos Correios do Triângulo e Alto Paranaíba suspendem greve


Decisão ocorreu em assembleia nesta terça (13); cerca de 10% dos trabalhadores tinham aderido ao movimento nacional, que começou na segunda (12). Greve atingiu, principalmente, os carteiros; vários do país paralisaram os trabalhos
Fernando Estevão/ TV Gazeta
Os funcionários dos Correios do Triângulo e do Alto Paranaíba que estavam em greve desde a última segunda-feira (12) decidiram, por volta das 20h desta terça-feira (13), suspender a paralisação.
A decisão ocorreu durante uma assembleia em Uberaba, onde foi analisada a proposta do plano de saúde apresentada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e julgada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Apesar da suspensão, a categoria mantem o estado de greve.
Ainda na segunda-feira, o TST decidiu alterar as regras do plano de saúde dos Correios e autorizar a cobrança de mensalidade dos funcionários da estatal e de seus dependentes. Uma das razões apontadas pelo sindicato da categoria para a decretação da greve foi justamente a tentativa da direção da estatal de promover alterações no plano de saúde.
Pela decisão, o valor da mensalidade dependerá da renda do trabalhador. O TST também alterou as regras de coparticipação – parte do valor de consultas e procedimentos que o funcionário divide com a empresa.
Exemplo: um funcionário da ativa que realize um procedimento que custe R$ 40 mil e esteja sujeito a uma coparticipação de 50%. A princípio, ele teria que pagar R$ 20 mil de coparticipação. Entretanto, se o salário dele for de R$ 5 mil por mês, a coparticipação cai para R$ 10 mil (limite de dois salários para trabalhador da ativa).
Segundo a estatal, os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano.
Entre as tabelas apresentadas e as alterações do TST, também ficou estabelecido que o custo total do plano será distribuído em 30% para os empregados arcarem e 70% para a mantenedora. Os pais dos funcionários serão mantidos no plano, porém, com mensalidades e coparticipação, por um ano. Pai e mãe em tratamento vão continuar no plano até a alta médica. A vigência das alterações no plano começa a valer a partir da publicação da decisão do TST, até o dia 1 de agosto de 2019.
Estado de greve
Mesmo com a decisão, a categoria mantém o estado de greve e vai acompanhar o cumprimento do acordo, conforme explicou ao G1 o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios e Telégrafos de Uberaba e Região (Sintect-URA), Wolnei Cápolli.
“Analisamos a proposta que o TST julgou sobre o nosso plano de saúde e então deliberamos pelo encerramento da greve. Mas agora estamos em ‘estado de greve’, ou seja, a qualquer momento de descumprimento do acordo coletivo com por parte da empresa, a gente pode convocar uma nova greve por assembleia extraordinária”, explicou o sindicalista.
Balanço
Na manhã desta quarta-feira (14), a assessoria dos Correios comunicou que até as 18h desta terça, 24 dos 32 sindicatos dos Correios que haviam aderido à paralisação decidiram encerrar o movimento. Quatro sindicatos não haviam aderido à paralisação.
“Hoje 96,5 mil empregados (o equivalente a 91% do efetivo total dos Correios) trabalharam normalmente”, informou a aestatal.
A empresa informou ainda que na tarde desta terça-feira, o TST determinou a manutenção de efetivo mínimo de 80% dos trabalhadores em cada unidade, enquanto durar a greve.
Em comunicado, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) disse que orientou pela volta ao trabalho nesta quarta-feira (14), mantendo o estado de greve.
“A nossa briga não era propriamente com os Correios. Nosso objetivo era sensibilizar o TST no julgamento para que eles não retirassem os pais dos nossos planos de saúde e para que ele também revesse a alíquota que será cobrada a mais de mensalidade e de coparticipação do nosso plano”, comentou Cápolli.
Segundo a Fentect, as medidas adotadas pela direção da estatal demonstram a “intenção clara de privatizar” os Correios.
“Toda a postura da gestão da estatal demonstra a incompetência administrativa, na tentativa de acabar com o caráter social da empresa, buscando a sustentabilidade com base apenas no lucro. Enquanto isso, estão precarizando os Correios, sem investir em mais empregos, promovendo demissões incentivadas e sobrecarregando quem se encontra na ativa”, diz a nota.

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