Funcionárias que promoveram protesto no Google enfrentam retaliação, diz jornal


Duas das organizadoras das manifestações trataram da situação em fóruns de mensagem internos do Google. Textos foram obtidos pela imprensa americana. Funcionários do Google protestaram em todo mundo contra assédio sexual em novembro de 2018
Reuters/Stephen Lam
Duas das funcionárias que organizaram a “Google Walkout”, uma série de protestos em escritórios do Google contra denúncias de assédio sexual na empresa que aconteceu no final de 2018, afirmam estarem enfrentando retaliações internas. Elas agora estão promovendo uma reunião para sexta-feira (26), por causa dessa situação.
A informação foi dada pelo jornal “The New York Times” e pela revista “Wired”, que tiveram acesso a mensagens internas, postadas pelas funcionárias em fóruns do Google.
Funcionários do Google em todo o mundo protestam contra assédio sexual
Uma das organizadoras , Meredith Whittaker, que lidera uma área de pesquisas em inteligência artificial (IA), disse que foi informada que seu papel na empresa “mudaria dramaticamente”, depois que o Conselho de Ética em IA foi desfeito, no início deste mês, por desavenças entre os membros do comitê. Por conta da polêmica, o Google cancelou todo o projeto.
De acordo com ela, lhe foi dito que, para permanecer na empresa, Whittaker teria que “abandonar” seu trabalho com ética em IA e também o instituto de pesquisa sobre o assunto que fundou em parceria com a Universidade de Nova York.
Outra organizadora, Claire Stapleton, que é diretora de marketing no YouTube da marcha e uma veterana com mais de 12 anos no Google, afirmou em carta aos colaboradores que após as manifestações a empresa a rebaixou de cargo. A empresa também tentou forçá-la a sair de licença médica, mesmo sem estar doente. Ela contratou um advogado e conseguiu reverter o rebaixamento de posição na Justiça.
Relembre o caso
Chamado de “Google Walkout”, o protesto aconteceu depois de o jornal “The New York Times” mostrar que a empresa protegeu Andy Rubin, um alto executivo diretor do sistema Android, acusado de assédio. Ele deixou a empresa com um bônus de US$ 90 milhões.
Após a veiculação da reportagem, o presidente do Google, Sundar Pichai, enviou um e-mail aos funcionários da empresa, prestando contas sobre as providências que o Google já tinha tomado em casos de assédio. De acordo com ele, o Google demitiu 48 pessoas nos últimos anos, sem qualquer tipo de benefício, diante de acusações de assédio.