Fuga inusitada e advogado perplexo: a misteriosa viagem de Carlos Ghosn do Japão para o Líbano


Executivo brasileiro estava em prisão domiciliar em Tóquio e seguiu para um dos países que possui nacionalidade. Carlos Ghosn enquanto ainda estava no Japão
Reuters
A ida de Carlos Ghosn, ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, do Japão para o Líbano é um mistério. Autoridades japonesas ainda não confirmam se o executivo brasileiro é considerado foragido da justiça.
Entenda a prisão de Carlos Ghosn
O que se sabe até o momento é que ele viajou a bordo de um jato particular e fez escala na Turquia. Não há registros da saída dele na imigração do Japão.
A imprensa internacional especula que a fuga de Ghosn foi inusitada.
Segundo, a emissora libanesa MTV (Murr Television), o executivo teria saído da prisão domiciliar escondido em uma caixa de instrumentos musicais de uma banda que se apresentou em sua residência em Tóquio. A baixa estatura de Ghosn, menor que 1,70 m, facilitou o esconderijo rumo ao aeroporto.
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Porém, uma fonte ligada ao empresário negou à agência de notícias AFP de que Ghosn saiu do Japão desta forma. “Ghosn está em Beirute com sua esposa, livre e muito feliz”, completou a fonte, indicando que os advogados do executivo não sabiam da viagem.
Junichiro Hironaka, principal advogado de Carlos Ghosn, confirmou que não sabia da viagem e afirmou nesta terça que ficou perplexo com as notícias e que soube da fuga do cliente pela televisão.
Hironaka disse ainda que está com os três passaportes do ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi. Ghosn tem com tripla nacionalidade: francesa, libanesa e brasileira.
Em pronunciamento enviado à imprensa nesta terça-feira (31), Carlos Ghosn afirmou que “não fugiu da justiça”, mas que “escapou da injustiça”.
“Agora estou no Líbano e não vou mais ser refém de um sistema judicial japonês fraudulento em que se presume culpa, onde direitos humanos básicos são negados”, completou.
Líbano diz que Ghosn entrou no país legalmente
Executivo brasileiro Carlos Ghosn afirma que não fugiu do Japão
O Ministério das Relações Exteriores libanês anunciou que Ghosn entrou no Líbano legalmente e a Direção Geral de Segurança confirmou a legalidade da entrada e afirmou que nenhuma medida impunha “a adoção de procedimentos contra ele” e que nada “o expõe a uma ação legal”.
Uma possibilidade é que o executivo tenha usado apenas uma carteira de identidade libanesa ao desembarcar.
Escândalo completou um ano
Ghosn foi preso pela primeira vez em novembro de 2018, acusado de má conduta financeira, ao emitir parte de seus rendimentos, bem como utilizar indevidamente verbas das empresas. Quase quatro meses depois, foi solto, após pagar fiança.
Em abril, um mês depois de ser solto, o brasileiro foi preso novamente, sob novas acusações. Após pagar uma nova fiança, Ghosn novamente deixou a prisão, ainda em abril.
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Arte/G1