Frequentadores de bar acusam polícia de abuso durante abordagem em Uberlândia; PM diz que ação é fiscalização rotineira


Estudantes feridos tiveram imagens postadas no Facebook. Tenente-coronel nega truculência e afirma que operações vão continuar. Estudantes ficam feridos durante abordagem policial no Bairro Santa Mônica em Uberlândia
Uma batida policial neste fim de semana em Uberlândia gerou relatos no Facebook sobre possível truculência por parte de militares. Algumas pessoas ficaram feridas e reclamaram da ação. Ao G1, a Polícia Militar (PM) informou que tem reforçado a fiscalização nas proximidades de bares, especialmente na região central e Leste da cidade. Neste sábado e domingo houve blitz e batida policial na Praça da Bicota, no Centro, e também no Bairro Santa Mônica.
Confusão
Por volta das 23h a PM chegou à Avenida Belarmino Cotta Pacheco, numa região onde há alguns bares e é ponto de encontro para universitários da região. No local estavam estudante e frequentadores.
Segundo a aluna do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Enzel Triz Cançado, ela estava com alguns amigos quando começou a abordagem policial. Ela disse que não houve resistência por parte de um grupo de estudantes, mas que ainda assim foram usados spray de pimenta e bomba de efeito moral contra as pessoas que estavam no local.
Estudante ficou ferida durante abordagem no Bairro Santa Mônica
Reprodução/Facebook
“Os bares já estavam fechados e o fluxo de gente já tinha diminuído bastante. Cerca de seis viaturas chegaram e policiais armados desceram mandando todos irem para a calçada, jogando spray de pimenta. De repente, jogaram uma bomba perto do grupo. Eu até entendo que a intervenção policial é necessária em algumas ocasiões, mas no meu ponto de vista foi desnecessária da forma que foi feita”, opinou.
Ainda de acordo com a estudante, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, incluindo uma amiga dela, que sofreu um corte devido aos estilhaços. Após o ocorrido, o Diretório Central dos Estudantes da UFU publicou uma nota na manhã desta segunda-feira (12) repudiando a ação e questionando a atuação da polícia. Confira a publicação abaixo.
DCE-UFU publicou note de repúdio aos fatos na noite deste domingo (11)
Reprodução/Facebook
Ação policial e fiscalizações
O comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Ailton Donisete de Souza, informou ao G1 que se houve uso de instrumentos de menor potencial ofensivo foi porque teve resistência à ordem policial.
“Isso é algo dentro da normalidade. Sempre que existe resistência, temos munição química ou até munição de borracha pra dispersar as pessoas. Nosso pessoal é muito técnico e, se foram usados [instrumentos], é porque não houve obediência à ordem policial”, explicou.
Segundo o tenente-coronel, têm ocorrido operações nesses locais desde o fim do ano passando e foram reforçadas em fevereiro e agora em março. Ailton Donisete também destacou que a polícia têm dado ênfase nos finais de semana devido à maior aglomeração de pessoas.
Para a reportagem, o tenente-coronel acrescentou que o objetivo é coibir o uso e tráfico de drogas, perturbação do sossego, entre outros delitos denunciados frequentemente por moradores, e que além de batida policial, são realizados testes de bafômetro e blitz para fiscalização e apreensão de veículos irregulares.
“Existem várias reclamações de pessoas que moram na região por causa de barulho e também de uso de drogas. Na Praça da Bicota, por exemplo, há uma tendência a aumentar a distribuição de drogas, então esse trabalho de fiscalização vai continuar”, finalizou Souza.

Powered by WPeMatico