#FreeBritney: um exército digital que vai além dos fãs de Britney Spears


Campanha pelo fim da tutela da pop star começou com podcast de humor em 2017 e agora reúne organizações de pessoas vulneráveis e defensores dos direitos cívicos. Fãs protestam pelo fim da tutela de Britney Spears em frente ao tribunal nesta quarta-feira (14)
Emma McIntyre/Getty Images North America/Getty Images via AFP
Tudo começou como um podcast de humor sobre o Instagram de Britney Spears. Anos depois, a #FreeBritney mobiliza nas redes sociais, além de seus fãs, organizações de pessoas vulneráveis e defensores dos direitos cívicos para livrar a estrela de uma tutela.
Em 2017, Tess Barker e Babs Gray só queriam se divertir com a rede social da intérprete de “Oops! … I Did It Again”.
Mas essas comediantes americanas ficaram intrigadas com o mecanismo legal que deu ao pai de Britney Spears em 2008 o poder de decidir quase todos os aspectos de sua vida, após uma série de comportamentos erráticos da artista que os paparazzi ajudaram a divulgar.
“E se tornou um podcast investigativo, intitulado ‘Toxic’ “, diz Barker.
Com sua colega, elas mergulharam em audiências jurídicas sobre o assunto para encontrar pistas sobre o que estava por trás disso.
Em 2019, Britney Spears desapareceu das redes sociais e eles receberam uma mensagem de áudio alarmante: a estrela havia sido internada à força em uma clínica psiquiátrica. O informante disse ser ex-membro de uma empresa que também administra a tutela.
O próximo episódio do podcast, intitulado “#FreeBritney” (Free Britney), viralizou globalmente.
A hashtag permanece ativa depois de ter sido usada meio milhão de vezes quando Britney Spears deu um testemunho explosivo no final de junho.
Fãs protestam pelo fim da tutela de Britney Spears em frente ao tribunal nesta quarta-feira (14)
Emma McIntyre/Getty Images North America/Getty Images via AFP
“Traumatizada” e “deprimida”, ela afirmava não ter poder para decidir sobre suas amizades, suas finanças e até mesmo sobre sua vontade ou não de conceber um filho.
O lema também é usado em cartazes nos protestos pró-Britney durante audiências sobre o caso no tribunal de Los Angeles e em manifestações em outras cidades.
“Há muitas pessoas envolvidas no movimento #FreeBritney que nem mesmo ouvem suas músicas”, disse Babs Gray.
Associações de vulneráveis, defensores dos direitos civis e advogados juntaram-se à causa, o que já é uma grande vitória para Jordan Miller, que dirige o site de fãs BreatheHeavy e assina posts com o FreeBritney desde 2009.
“Foram anos escrevendo sobre isso, falando sobre isso, para que o mundo visse o que eu vejo há muito tempo”, diz esse homem.
“O final feliz seria se Britney Spears pudesse um dia desfrutar das mesmas liberdades a que todos têm direito”, conclui Tess Barker.
E na quarta-feira (14), a cantora deu um primeiro passo: uma juíza a autorizou a escolher pela primeira vez em 13 anos seu próprio advogado para tentar anular a tutela, que a priva de grande parte de sua autonomia.