Fraudes contra idosos: assunto para o FBI nos EUA


Golpistas oferecem prêmios, viagens a preços irrisórios e produtos antienvelhecimento ou voltados para doenças crônicas Pelas estatísticas norte-americanas, idosos vítimas de fraudes perdem algo em torno de 36 bilhões de dólares (o equivalente a R$ 134 bi) por ano. Em muitos casos, os golpes são capazes de arruinar as finanças da pessoa, que não terá sequer tempo para se recuperar e voltar ao patamar de economias que tinha anteriormente. Nos EUA, o problema mobilizou inclusive o FBI (Federal Bureau of Investigation), que mapeou os tipos de truques mais utilizados: em primeiro lugar, vem disparado o telemarketing fraudulento, que atinge principalmente mulheres acima dos 60 anos que vivem sozinhas. Os golpistas oferecem prêmios, viagens a preços irrisórios e produtos antienvelhecimento ou voltados para doenças crônicas.
Os especialistas alertam para frases que são usadas para fisgar os incautos, como: “não perca a oportunidade, a oferta está acabando!”; ou “você ganhou um prêmio, basta fazer um pequeno pagamento para cobrir o custo do envio do produto”; ou ainda “para conseguir essa oferta, precisamos do número do seu cartão de crédito, ou conta do banco”. De acordo com o site Fraud!Org, uma em cada cinco reclamações feitas ano passado partiram de idosos acima dos 65 anos e a maioria das queixas estava relacionada a fraudes pela internet.
Fraudes contra idosos: golpistas oferecem prêmios, viagens a preços irrisórios e produtos antienvelhecimento ou voltados para doenças crônicas
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Na semana passada, relatório sobre fraude em e-commerce realizada pela CyberSource apontou o teste do cartão como a fraude mais popular no comércio virtual brasileiro, respondendo por 45% dos casos. O golpe consiste em testar se os dados dos cartões obtidos ilegalmente são válidos, através de compras de produtos de baixo valor em sites não protegidos. Quando a transação é bem-sucedida, o fraudador confirma a validade dos dados, se o cartão está bloqueado ou sem limite, e realiza novas fraudes. Em seguida vêm roubo de conta (42%) e roubo de identidade (40%). Quanto mais bem informado o idoso estiver, menor o perigo que corre. É importante enfatizar que, quando não se conhece o interlocutor, não é rude se recusar a falar com ele. Bater o telefone na cara de um malandro nunca é falta de educação! Seguem alguns conselhos para diminuir o risco de uma abordagem dessas:
1) Sempre responder que precisa de tempo para pensar, ignorando qualquer tipo de pressão – aliás, empresas idôneas não se valem desse tipo de estratégia.
2) Nunca pagar antecipadamente por um serviço, e sim depois que ele for executado. E nem pensar em desembolsar um real que seja diante do anúncio de um “prêmio” que não existe.
3) Não fornecer informações pessoais, nem números de contas, ou de cartões.
4) Não se deixar convencer por testemunhos de pessoas a favor de um determinado produto, por mais confiáveis que pareçam.
5) Em caso de dúvida, pedir ajuda a algum amigo ou parente para checar a veracidade da proposta.
Quem convive com o idoso também deve prestar atenção em sinais de alerta, como mudanças no padrão de comportamento. Por exemplo, alguém que sempre foi frugal nas despesas passar a fazer retiradas maiores, contratar empréstimo ou deixar de pagar contas. Se a internet trouxer um novo amigo ou amiga, também é bom checar se o interesse é genuíno ou esconde segundas intenções. Golpistas que se pretendem enamorados ou enamoradas costumam lançar mão de um argumento perigoso: de que é preciso manter o relacionamento em segredo porque, na verdade, a família não se preocupa com o bem-estar e a felicidade da pessoa, estando apenas de olho em seu dinheiro. No entanto, não recrimine seu ente querido se ele for vítima de uma fraude. Com vergonha e a autoestima lá embaixo, vai ser mais difícil discutir o assunto e evitar que se repita.