Ford projeta lucro menor que o esperado para 2019

No 2º trimestre, ganho já foi menor que o previsto, pressionado por custos de plano de reestruturação. No fim do mês, trabalhadores do ABC paulista serão demitidos. A Ford divulgou na última quarta-feira (24) que seu lucro no 2º trimestre ficou abaixo do esperado, pressionado por custos de reestruturação de unidades na Europa e na América do Sul, incluindo no Brasil, onde abandonou a produção de caminhões e fechou fábrica em São Bernardo do Campo (SP).
A empresa também anunciou a previsão de lucro para o ano, para menos do que preveem analistas – a própria Ford ainda não tinha estimado um valor. A expectativa de lucro ajustado é de até US$ 7,5 bilhões, ante US$ 7 bilhões em 2018.
A segunda maior montadora de veículos dos Estados Unidos teve lucro líquido de US$ 148 milhões no 2º trimestre, puxado pela América do Norte, onde as picapes geram margens elevadas de lucro para a Ford e suas rivais de Detroit, General Motors e Fiat Chrysler.
A fabricante também registrou um pequeno lucro na Europa e uma perda muito menor na China em relação ao 2º trimestre de 2018, já que melhores preços e novos modelos de luxo ajudaram a compensar um desempenho fraco naquele mercado.
Reestruturação
Em maio passado, a empresa disse que eliminaria cerca de 10% de sua força de trabalho assalariada global, cortando cerca de 7 mil empregos até o final de agosto.
Em junho, a Ford disse que vai eliminar 12 mil empregos, fechará 5 fábricas e cortará turnos em outras unidades na Europa até o fim de 2020, num esforço para voltar à lucratividade.
No começo do mês, a montadora anunciou que gastará bilhões de dólares para desenvolver veículos elétricos e autônomos junto com a Volkswagen, aprofundando uma aliança global para reduzir os custos de desenvolvimento e fabricação.
A reestruturação da Ford inclui redução de custos e revisão de sua linha de produtos nos principais mercados globais, como China e Europa.
A montadora informou que até agora registrou apenas US$ 2,2 bilhões dos US$ 11 bilhões de dólares em encargos previstos para reestruturação global.