Flayslane lança ‘Osmar’, com refrão parecido com o de ‘Virgínia’ de Zé Felipe; compare


Música da ex-BBB é reviravolta na onda de hits com nomes de mulher. Melodia lembra faixa anterior de sertanejo. Fãs notam semelhança e autor concorda, mas diz que não vai questionar. X
Compare ‘Osmar’ de Flay a ‘Vigínia’ de Zé Felipe
Flayslane virou o jogo. A ex-BBB acaba de lançar a música “Osmar”, uma reviravolta feminina na onda de hits cantados por homens com nomes de mulheres. Agora, o “lugar de canto” é delas – e o julgamento é sobre o comportamento masculino.
Mas um lance nessa virada pode ser controverso: a melodia do refrão é bem parecida com a de “Virgínia”, música que faz parte da onda de “mulheres-hit”,lançada recentemente por Zé Felipe, cantor sertanejo filho de Leonardo. Ouça as duas acima e compare.
O G1 explicou em reportagem recente que estão em alta músicas como “Rita”, “Letícia”, “Larissa”, “Renatinha” e a própria “Virgínia”. Todas têm compositores e cantores homens, e mostram personagens mulheres “ferozes”. A história também foi contada em podcast:
“Osmar” nasceu da ideia de dar voz às mulheres nesse campo. Flayslane chamou para uma parceria a compositora Bárbara Dias, que já emplacou “Não confudo mais” com MC Rebecca e “Paraíso” com o grupo de rap 3030.
“A composição é um universo muito masculino. A indústria fonográfica toda. Sempre encontro poucos homens e poucas mulheres”, diz Bárbara.
Na música, Flay incorpora a mesma força das personagens ferozes dos hits recentes cantados por homens. “Hoje o bom dia foi o meu tapão ‘nos peito'”, ela canta. “Osmar, Osmar, se é puteiro que tu gosta vai me ver lá todo dia”, diz o refrão.
“Foi muito legal, porque a Flay é uma artista que tem muita certeza do que quer. E uma das coisas é empoderar a mulher. Pegar e fazer exatamente o que se faz com todos os nomes de mulheres e botar o nome de homem, como se ela tivesse se defendendo de uma relação abusiva”, descreve Bárbara.
“Ela quer falar sobre a mesma coisa que os homens falam, só que sob a ótica de uma mulher, e não quer ser julgada por isso”, diz a coautora. A música é assinada pelas duas e também por dois homens: Doug Ribeiro e Juliano Moreiro.
Questionada se “Osmar” é uma resposta a “Virgínia”, a compositora negou: “Não, a gente nem pensou numa história específica de outra música. A gente só tinha em mente que queria fazer uma música de mulher empoderada, e seguindo essa onda de músicas com nomes de mulheres, a gente queria um homem para colocar, mas não é de maneira nenhuma uma resposta a outra música”, ela disse.
Flayslane e Carlinhos Maia no clipe de ‘Osmar’
Divulgação
Perguntada sobre a semelhança de melodias, Bárbara disse: “Foi um acaso, foi uma coincidência. Provavelmente foi uma questão inconsciente do grupo, até porque a gente ouve muitas coisas”, ela diz.
“Virgínia” e “Osmar” também se assemelham no arranjo brega e no visual de cabaré dos clipes.
O G1 procurou Flayslane para falar sobre a semelhança da melodia do refrão, mas não teve resposta.
Zé Felipe e Virgínia no clipe da música homônima da noiva do cantor
Divulgação
Fãs: Parece, mas é ‘tudooo’
Assim que a música foi divulgada, nesta quinta-feira (11), alguns fãs notaram a semelhança nos comentários do YouTube. “Nossa parece muito com a música “Virginia” do Zé Felipe”, diz um comentário com emojis de palhaço e de gritos.
Comentário sobre ‘Osmar’ no YouTube
Reprodução
Outros fãs apontam a semelhança e elogiam ao mesmo tempo: “Essa música me lembrou “Virgínia” do Ze Felipe, mais tá tudooo”, escreve uma deles. “Parece a música Virgínia do cantor Zé Felipe, mas ficou boa”, comenta outro.
Comentário sobre ‘Osmar’ no YouTube
Reprodução
Xerox no cabaré?
O G1 procurou Lucas Medeiros, coautor de “Virgínia” (Zé Felipe é apenas intérprete, e não compositor da música). Ao ouvir, ele disse: “O pessoal fez bem parecido com a melodia da nossa mesmo”.
Depois, o autor afirmou que, apesar da semelhança, não pretende questionar os autores de “Osmar”.
“A gente não vai fazer porque isso não dá nada, não adianta a pessoa entrar com nada aí. Porque no Brasil para ser considerado plágio tem que ser exatamente igual, o refrão inteiro, oito compassos. E mesmo que desse plágio, a gente não vai fazer nada porque é confusão desnecessária. Às vezes é na maldade, ou não, mas não adianta… Às vezes nem é na maldade”, Lucas Medeiros pondera.
Luciana Minada, sócia do escritório Kasznar Leonardos e especialista em propriedade intelectual, tem uma avaliação parecida à do compositor: “Eu concordo com o que foi falado pelo autor da música original. No Brasil isso é muito controverso. Quando vai ao tribunal, discute o plágio, não existe uma fórmula pronta”.
“Não é um caso que dá para ser identificado plágio de bate pronto, mas não pode ser descartado”, avalia a especialista. “O Brasil tem essa zona cinzenta em termos de regra de autoria”, ela comenta.
Flayslane no clipe de ‘Osmar’
Divulgação