Flaviola, líder do bando que iluminou a cena psicodélica do Recife na década de 1970, morre aos 68 anos


♪ OBITUÁRIO – Flávio Tadeu Rangel Lira (10 de dezembro de 1952 – 12 de junho de 2021) foi do gênero de artista cuja importância na música brasileira deve ser medida não pela popularidade, mas pela influência que exerceu na própria geração e em gerações futuras.
Como líder do Bando do Sol, Flávio – ou melhor, Flaviola, como o artista se apresentava desde 1972 – foi um astro que, dentro de universo musical particular, ajudou a iluminar a cena psicodélica que se ergueu no mar do Recife (PE) ao longo dos anos 1970.
Capital do Mangue Beat, Recife (PE) é a cidade natal deste cantor, compositor, poeta e músico pernambucano que morreu neste sábado, 12 de junho, aos 68 anos, engrossando o número de vítimas brasileiras da covid-19.
Parceiro de Zé Ramalho em músicas como Martelo dos 30 anos (1985), Quasar do sertão (1986) e Décimas de um cantador (1987), o artista sempre foi cultuado pelo álbum Flaviola e o Bando do Sol, lançado em 1976 pelo selo recifense Solar.
Capa do álbum ‘Flaviola e o Bando do Sol’, de 1976
Reprodução
Marco poético da psicodelia nordestina que ainda hoje reverbera no som de grupos do Recife (SP), este álbum apresentou repertório autoral assinado pelo líder do bando, geralmente sozinho, mas também em parceria com o conterrâneo Lula Côrtes (1949 – 2011) e em colaboração póstuma com poetas.
Foi a partir de versos do espanhol Federico García Lorca (1898 – 1936), a propósito, que Flaviola compôs Romance da lua lua, música que ganharia projeção nacional, cinco anos mais tarde, na gravação de Amelinha que batizou álbum lançado em 1981 pela cantora cearense.
O disco Flaviola e o Bando de Sol ganhou reedição em LP no mesmo ano de 2020 em que o artista voltou ao mercado fonográfico com o álbum autoral Ex-tudo, cuja capa expôs foto impactante que flagrou Flaviola em leito de UTI em 2019, um ano antes da pandemia. Ex-tudo é disco formatado com produção musical do pernambucano Domingos Sávio, o D Mingus.
Flávio – ou melhor, Flaviola – entrou em cena em 1972, na flor dos 20 anos, na capital de Pernambuco. Contudo, nem toda a arte de Flaviola gravitou em torno do Recife (PE). O artista viveu anos no Rio de Janeiro (RJ), cidade onde criou a trilha sonora de musicais de teatro e onde dirigiu shows de cantores como Elza Soares.
Foi no teatro, aliás, que Flaviola surgiu pela primeira vez em cena e moldou o caráter performático. De lá, partiu para a música, sempre entrelaçada com poesia.
A rota profissional de Flaviola incluiu cidades como São Paulo (SP), mas foi mesmo no Recife (PE) que gravou o último álbum, Ex-tudo, após reencontrar a cidade ao ser convidado para participar da edição de 2015 do festival Abril pro Rock.
De Pernambuco para o mundo, Flávio Tadeu Rangel Lira se tornou grande nome da cena local pela influência exercida com o folk-rock propagado no álbum de 1976 que, rimando psicodelia com melancolia, iluminou o som e a existência de Flaviola e o Bando do Sol.
Capa do álbum ‘Ex-tudo’, lançado por Flaviola em 2020
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