Flávio Venturini mapeia ‘Paisagens sonoras’ em álbum que segue trilhas da sinfonia pop mineira


Artista apresenta parcerias com Ronaldo Bastos, Nilson Chaves e Luiz Carlos Sá no primeiro disco de músicas inéditas em sete anos. Capa da edição em CD do álbum ‘Paisagens sonoras’, de Flávio Venturini
Divulgação
Resenha de álbum
Título: Paisagens sonoras – Volume 1
Artista: Flávio Venturini
Edição: Trilhos.Arte
Cotação: * * * 1/2
♪ Há curioso dado gráfico no encarte da edição em CD de Paisagens sonoras – Volume 1, bom álbum de músicas inéditas de Flávio Venturini. No encarte, cada uma das 12 músicas do disco é apresentada com letra, ficha técnica e a capa do single correspondente da faixa.
Lançado em edição digital em 20 de novembro, mas também disponível em CD que pode ser adquirido na loja virtual de Venturini, o álbum Paisagens sonoras quase pode ser caracterizado com coleção de singles.
Afinal, sete das 12 faixas já foram previamente apresentadas em singles a partir de maio de 2016, mês em que o cantor, compositor e pianista mineiro lançou a gravação de Mantra de amor (Flávio Venturini), terno canto de amor ambientado em noite estrelada e em clima folk com o toque rural do acordeom de Christiano Caldas, produtor do fonograma.
A propósito, Caldas deu forma a sete das 12 faixas do álbum, cujo subtítulo Volume 1 indica que o disco terá sequência. Dupla sequência. De acordo com os planos de Venturini, Paisagens sonoras é o primeiro título de trilogia fonográfica. Estão previstos um segundo volume (com mais músicas inéditas, gravadas com convidados) e um terceiro volume com temas instrumentais.
Na forma do volume 1, Paisagens sonoras também pode ser apreciado como o primeiro álbum de inéditas do artista desde Venturini (2013), disco lançado há sete anos. E isso, por si só, já confere relevância ao disco, pois Flávio Venturini é um dos arquitetos fundamentais da sinfonia pop mineira orquestrada a partir dos anos 1970 sob a batuta gregária do maestro regente Milton Nascimento.
Em cena desde 1974, ano em que foi admitido como integrante da banda de rock progressivo O Terço, Venturini marcou época a reboque do 14 Bis, grupo que alçou altos voos entre 1979 e 1983 com mistura jovial de pop, MPB e rock progressivo.
Principal compositor do 14 Bis, Venturini legou ao universo pop melodias como as de Planeta sonho (Flávio Venturini, Vermelho e Marcio Borges, 1980), Linda juventude (Flávio Venturini e Marcio Borges, 1982) e Todo azul do mar (Flávio Venturini e Ronaldo Bastos, 1983).
Flávio Venturini alinha 12 músicas no álbum ‘Paisagens sonoras’, com destaque para ‘Uma cidade, um lugar’
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Lampejos desse excepcional talento de melodista aparecem no álbum Paisagens sonoras em músicas como Viver a vida (2020) – parceria de Venturini com Torquato Mariano, produtor da faixa formatada com leve levada black – e a apaixonante balada Uma cidade, um lugar (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 2020), destaque da safra autoral.
Outra faixa produzida por Torquato Mariano, Caminho de estrelas (Flávio Venturini, 2020) sinaliza que os trilhos seguidos pelo cantor e compositor continuam embutindo, no percurso, trilhas progressivas.
Contudo, há atalhos perigosos nesse percurso. Parceria de Venturini com Luiz Carlos Sá inicialmente intitulada Parfait amour e apresentada em single editado em 1º de outubro já com o nome definitivo, O céu de quem ama (2020) talvez brilhasse mais com menos teclados e menos vocais.
Com letra pautada pelos versos líricos do poeta Ronaldo Bastos, a balada romântica Azul com poeiras de ouro (2020) tem tonalidades mais acústicas no arranjo de Keco Brandão, produtor musical do fonograma.
Um dos poetas fundamentais do cancioneiro do Clube da Esquina, Ronaldo Bastos é também o letrista de Cais de Belém (2019), faixa cuja onda envolvente vem do piano tocado pelo próprio Venturini.
Esse mesmo piano ilumina a beleza natural de Lua de Marajó (2020), inspirada parceria do artista mineiro com o paraense Nilson Chaves apresentada em single editado em janeiro.
Aberto com Girassol (Flávio Venturini e Cláudio Fraga, 2020), o álbum Paisagens sonoras – Volume 1 traz duas composições sem a assinatura de Venturini, ambas ajustadas ao universo musical do artista.
Música apresentada em single editado em novembro de 2017, Em cima do tempo é balada de autoria dos compositores cearenses Edmar Gonçalves e Marcos Lupi. Já O que é normal (2020) é canção recente em que os jovens compositores mineiros Frederico Heliodoro e Vitor Velozzo expressam angústias decorrentes da pandemia que assombrou o mundo neste ano de 2020.
Balada lançada em single editado em abril de 2019, Vi no teu olhar (Flávio Venturini e Hugo Lacerda) é faixa – produzida pelo guitarrista mineiro Cesar Santos – que completa o repertório do disco, reiterando o romantismo apaixonado que dá o tom do cancioneiro de Flávio Venturini.
Paisagens sonoras é álbum que agradará seguidores fiéis desse andarilho por trilhas que compõem a bela sinfonia pop das Geraes.