‘Fiquei sem acreditar, a ficha nem caiu’, afirma Dadá Boladão após Cardi B dizer que quer fazer versão da música ‘Surtada’


Rapper dos EUA postou, no Twitter, que ama essa música e quer gravar uma versão em espanhol. Aos 27 anos, cantor pernambucano de brega-funk comemora: ‘vai ser uma honra que nunca vou esquecer’. Cantor de brega funk Dadá Boladão em show
Dadá Boladão/Acervo pessoal
O artista de brega-funk Dadá Boladão foi surpreendido pela cantora americana Cardi B após ela postar, em uma rede social, uma mensagem dizendo que queria gravar uma versão em espanhol da música “Surtada”. “Fiquei sem acreditar, a ficha nem caiu”, disse ao G1 o cantor pernambucano, que gravou o remix da canção com Tati Zaqui e OIK.
“Foi Tati que me avisou. Quando eu entrei no Instagram, já estava todo mundo me mandando que a Cardi B me escutou. Pensar que uma pessoa do tamanho dela está querendo gravar uma versão minha…”, contou Dadá, referindo à declaração da rapper postada na conta dela no Twitter no domingo (21): “Quero fazer uma versão dessa música em espanhol. Amo essa música”.
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Até o início da tarde desta segunda-feira (22), o clipe do remix totalizava 264 milhões de visualizações no Youtube. O remix passou semanas no ranking das músicas mais tocadas do Brasil na plataforma de streaming Spotify, de acordo com Dadá.
“No dia de gravar a música, lá em 2019, foi a maior dificuldade para chegar no estúdio. Eu lembro bem porque eu estava sem carro e deu uma chuva danada. A cidade estava alagada e tudo parado. O povo disse para gravar outro dia, mas eu já estava instigado, sentido que a música ia ser hype [fazer sucesso]”, declarou o cantor pernambucano.
Dadá Boladão disse esperar realizar o sonho de ver essa versão da Cardi B ao lado do seu remix. “Vai ser uma honra que nunca vou esquecer”, falou.
Carreira
Dadá Boladão foi batizado pelos pais como Alef, mas decidiu adotar outro nome para a carreira musical. Ele contou que o apelido veio de quando era criança. “Me chamavam de Dadá pela brincadeira, porque, quando eu era criança, ficava falando ‘dá’. O Boladão é em homenagem a Felipe Boladão [funkeiro e MC paulistano morto a tiros em 2010], que eu sou muito fã”, explicou.
Aos 27 anos, ele vive em Itapissuma, cidade do Grande Recife. Aos 27 anos, disse que canta desde pequeno e que sempre soube que o caminho a ser seguido era o da música, apesar de também ter tentado ser jogador de futebol. “A escolha da música deu certo demais na minha vida”, afirmou o artista, que faz gravações desde os 18 anos.
Aos 27 anos, Dadá Boladão contou que sempre quis trabalhar com música
Dadá Boladão/Acervo pessoal
De acordo com Igor Marques, pesquisador de música e redator do Portal Embrazado, que realiza pesquisas sobre ritmos periféricos brasileiros, Boladão é um dos cantores de brega-funk bem-sucedidos no estado.
“Ele começou na época em que o gênero era feito mais em dupla, com MC Tocha. Eles fizeram sucesso juntos e têm hits que são considerados clássicos para o brega-funk […] Quando ele saiu em carreira solo, foi uma época em que o brega-funk estava começando a dialogar de forma mais forte com o reggaeton, e aí ele tem sucessos como ‘Joga Sujo'”, afirmou Igor.
Um dos shows feito pelo cantor pernambucano em Portugal, no início de 2020
Dadá Boladão/Acervo pessoal
Ainda segundo o pesquisador, a gravação e o lançamento de “Surtada” aconteceram em um momento em que o brega-funk estava “mais uma vez estourando no Sudeste”. No início de 2020, na época pré-pandemia da Covid-19, Dadá Boladão fez sua primeira turnê internacional em Portugal.
“Nunca tinha saído do país. Já estava tocando em todos os lugares do Brasil, mas nunca tinha ido tocar em outros países. Em todos os lugares que a gente tocou lá, as casas estavam cheias, tinham muitos brasileiros, muitas pessoas de Pernambuco também”, contou. O plano do artista era se apresentar na Bélgica e na Espanha também, mas a pandemia não deixou.
Funk e brega-funk no mundo
O interesse de Cardi B pela música brasileira não é novidade, já que ela apresentou um trecho de um remix em ritmo de funk carioca de “WAP” no Grammy 2021. Segundo Marques, o brega-funk é uma das grandes potências musicais que existem no Brasil e o interesse da rapper representou também uma vontade de participar desse movimento.
“Pensar o caminho inverso é interessante, porque geralmente se imagina apenas o brega se apropriando das coisas do exterior. […] O brega-funk finalmente está saindo do Brasil e está sendo reconhecido como música eletrônica, que é o que ele é. Música dançante inspirada e conectada nas musicalidades estrangeiras há muito tempo. O brega é conectado com a cumbia, com a salsa, desde o bolero, quando a gente ainda chamava de música cafona. E, agora com o brega-funk, ele está conectado com o trap e com o reggaeton, há cerca de uma década. É um movimento natural de conexão mesmo”, explicou.
Além do caso de “Surtada”, o pesquisador ainda ressaltou outros fenômenos: “De música nacional saindo daqui, a gente tem grandes sucesso como ‘Bum bum tam tam’ mesmo, que foi regravada com J Balvin e roda o mundo. Isso sem falar nas músicas da Anitta, que tem se lançado com vários artistas de fora. E tem conexões que as as pessoas esquecem de fazer que são do funk com MCs da África, com outros locais que saem da lógica do mainstream americano”.
* Estagiária sob a supervisão de Bruno Marinho, editor do G1 PE.
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