Fim de horário de verão é bom para corpo, mas pode ser ‘ruim’ à cabeça

O último horário de verão ocorreu entre 4 de novembro e 16 de fevereiro

O último horário de verão ocorreu entre 4 de novembro e 16 de fevereiro
Pixabay

Com o fim do horário de verão, o corpo não precisará mais passar por adaptações fisiológicas, o que é um ganho para a saúde, segundo os especialistas. No entanto, para a cabeça, pode ser o contrário. “Sair do trabalho e ainda estar claro dá a sensação de que é possível fazer alguma coisa. Nesse sentido, o horário de verão pode interferir mais na cuca do que no organismo”, afirma o fisiologista Jamiro Wanderley, da Unicamp.

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A psiquiatra Carolina Hanna, do Hospital Sírio-Libanês, explica que algumas pessoas podem ficar frustadas com o fim do horário de verão, no entanto, do ponto de vista da saúde mental, o fato é irrelevante. “O Brasil é um país com  incidência solar muito alta. Não temos estatísticas expressivas de depressão sazonal. O fim do horário de verão não vai desencadear quadros de depressão”, afirma.

“O curioso é que, como se trata de uma regra que funciona para todos, isso gera compartilhamentos de opinão, mexe com o coletivo”, completa. 

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Wanderley destaca que o corpo humano tem grande capacidade de adaptação. Por essa razão, a vigência do horário de verão não trazia problemas de adaptação de uma forma geral. “Uma pequena parcela apresenta maior dificuldade para se adaptar a dormir mais cedo e acordar mais cedo”. No horário de verão, o relógio é adiantado em uma hora.

O fisiologista Fernando Louzada, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ressalta os benefícios para a saúde com o fim do horário de verão.

“Existem evidências científicas de que na primeira semana após o início do horário de verão há um aumento de 3% nas chances de a pessoa ter um infarto agudo do miocárdio. Com a privação do sono na mudança de horário, há também um aumento de risco de acidentes de trânsito, já que as pessoas ficariam mais desatentas”, afirma.

Segundo ele, algumas pessoas se beneficiariam com o fim do horário de verão, pois a mudança no horário do nascer e do pôr do sol afeta na regulação do relógio biológico do corpo e no padrão do sono, o que pode deixar algumas pessoas mais mal humoradas.

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Louzada diz que, embora nem todos sejam afetados negativamente com o horário de verão, a maioria acaba sentindo pelo menos um efeito negativo da mudança de horário.