Filipinas critica Facebook por medidas de combate a ‘fake news’

Duterte acusou empresa de tentar minar seu governo

Duterte acusou empresa de tentar minar seu governo
Reuters/Bobby Yip/12.4.2018

O governo das Filipinas criticou a escolha feita pelo Facebook de duas plataformas online de notícias independentes para seu projeto de combate à propagação de notícias falsas. Governo afirmou, nesta segunda-feira (16), que elas são tendenciosas contra o presidente Rodrigo Duterte.

O Facebook disse na semana passada que faria parceria com a VERA Files e com a Rappler IQ para lançar um programa de verificação de fatos de terceiros com o objetivo de evitar a disseminação de notícias falsas na plataforma de mídia social nas Filipinas.

Mas Duterte acusou a Rappler, reconhecida por suas reportagens investigativas e questionamentos, de tentar minar seu governo, talvez com a ajuda de espiões norte-americanos, e o órgão regulador dos mercados nos EUA rescindiu sua licença operacional por violar regras de propriedade estrangeira.

A Rappler continua operando enquanto aguarda um recurso.

“Também gostaríamos de registrar nosso protesto na escolha de verificadores de fatos pelo Facebook e isso estará na agenda quando finalmente conseguirmos sentar com eles em breve”, disse Loraine Badoy, secretária assistente do Gabinete Presidencial de Operações de Comunicações, em um comunicado.

A pesquisa mostrou que os filipinos estão entre os usuários de mídia social mais ativos do mundo, gastando em média mais de quatro horas por dia em plataformas como o Facebook.

Duterte, um ex-prefeito de fora da esfera da política nacional, utilizou a mídia social para conseguir vencer a eleição de 2016 por uma enorme margem.

No ano passado, os legisladores começaram uma investigação sobre a proliferação do que viam como notícias falsas na internet.

O porta-voz de Duterte, Harry Roque, acolheu o desejo do Facebook de combater notícias falsas, mas ele observou que algumas pessoas se queixaram de que “a polícia da verdade escolhida às vezes é partidária”.

Uma porta-voz do Facebook não comentou sobre o protesto do governo e encaminhou a Reuters para uma declaração da semana passada anunciando a parceria com a Rappler e a VERA Files.

“A parceria com organizações terceirizadas de verificação de fatos é uma das maneiras que esperamos identificar melhor e reduzir o alcance de notícias falsas que as pessoas compartilham em nossa plataforma”, disse Clair Deevy, diretora de assuntos da comunidade do Facebook para a região Ásia-Pacífico na semana passada.

Não houve comentários imediatos da Rappler.

Ellen Tordesillas, presidente da VERA Files, disse que “o não-partidarismo e a justiça estão entre os requisitos para o credenciamento da rede internacional de verificação de fatos”.

A VERA Files e a Rappler IQ são os únicos membros filipinos de uma rede internacional de verificação de fatos do Instituto Poynter, uma escola de jornalismo nos Estados Unidos.

Preocupações com a privacidade inundaram o Facebook desde o reconhecimento, no mês passado, de que informações de milhões de usuários acabaram nas mãos da consultoria política Cambridge Analytica, empresa que teve a campanha eleitoral do presidente Donald Trump em 2016 entre seus clientes.

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