Fiat 500X: primeiras impressões


G1 avaliou o SUV compacto na Espanha. Chegada ao Brasil depende de um câmbio favorável, apesar de o produto ser desejado pelas concessionárias da marca. O G1 foi para a Espanha andar no novo SUV da Fiat, o 500X
O Jeep Renegade, tão conhecido dos brasileiros, possui um “primo” distante, todo cheio de estilo: o Fiat 500X. Eles foram criados juntos, mas tomaram caminhos diferentes.
Enquanto o Jeep resolveu conhecer o Brasil e fez fama por aqui, o Fiat ficou entre Europa e Estados Unidos. Suas únicas aparições neste país tropical foram no ano passado, no Salão do Automóvel, em novembro passado, e logo depois, camuflado, em testes, nas cercanias da fábrica de Betim (MG).
Apesar as recentes visitas, a Fiat diz que não pretende tirar o visto de permanência e fabricar o SUV compacto em nenhuma de suas fábricas em solo nacional. Se quiser ganhar a garagem dos brasileiros, terá que ser importado da Itália.
Fiat 500X
André Paixão/G1
O maior entrave é o câmbio desfavorável. A faixa ideal é o dólar na casa dos R$ 3,30, como definiu o presidente da FCA para a América Latina, Antonio Filosa.
O G1 avaliou o 500X, na Espanha, por cerca de 800 km em um percurso de ida e volta entre as cidades de Valência e Barcelona, no leste do país.
Logo de cara, é possível afirmar que o modelo seria uma excelente forma de a Fiat entrar no segmento mais disputado do mercado, dos SUVs compactos. Os italianos não possuem nenhum representante na categoria.
Fiat 500X no Salão do Automóvel 2018
Marcelo Brandt/G1
Apelo popular e da rede
O “coro” pedindo pelo 500X no Brasil vem de várias vozes. A rede de concessionárias da Fiat pressiona a fabricante para importar o modelo e suprir uma lacuna na linha da empresa.
A exibição no Salão de São Paulo também gerou impacto positivo junto ao público.
E ainda há outros facilitadores. O 500X compartilha a plataforma com o Renegade. Por isso, o processo de adaptação e homologação seria mais simples.
Ainda que haja certa “canibalização” do Renegade, provavelmente a soma das vendas traria vantagens para a Fiat.
Tabela de concorrentes do Fiat 500X
André Paixão, Marcelo Brandt e Fabio Tito/G1
Modelo de nicho
Só que os italianos parecem ter outros planos para o 500X, quando (e se) ele chegar. Ele deve ser um modelo de nicho, cheio de equipamentos, e com preço acima dos R$ 100 mil.
Para reforçar esta imagem, caberia ao SUV compacto estrear o moderno motor 1.3 Firefly turbinado, que rende 150 cavalos. Ele acabou de ser lançado na Europa, e ainda não estava disponível para teste.
A unidade avaliada pelo G1 na Espanha trazia motor 1.6 diesel de 120 cv e 32,6 kgfm, câmbio manual de 6 marchas e tração dianteira. A combinação está descartada para o país.
Se o motor não serve como parâmetro para o público brasileiro, o pacote de equipamentos dá uma noção da fartura de itens que o 500X pode oferecer.
Interior do Fiat 500X
André Paixão/G1
O exemplar testado trazia ar-condicionado digital com 2 zonas de temperatura, alerta de mudança de faixa com correção no volante, central multimídia com conexões Android Auto e Apple CarPlay, freio de estacionamento eletrônico, luzes diurnas de LED, 6 airbags, controles de tração e estabilidade, rodas de 16 polegadas, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, acesso e partida por chave presencial, sensores de luz e chuva e retrovisor interno eletrocrômico.
Com todos estes itens, mais a pintura metálica, o 500X é vendido por 27.150 euros, ou R$ 118,9 mil na conversão simples. Vale lembrar que motorizações a diesel são mais caras do que as equivalentes a gasolina.
Diesel é elástico
Motor 1.6 diesel de 120 cv do Fiat 500X
André Paixão/G1
Mesmo descartado para o país, é interessante observar o comportamento do conjunto mecânico. Embora a potência de 120 cv pareça pouca para os 1.320 kg do SUV, o dado mais importante da ficha técnica em motores diesel é o torque, de abundantes 32,2 kgfm.
Rodando por estradas de asfalto liso, o motor 1.6 se mostra bastante elástico. Seu torque máximo está disponível já em 1.750 rotações por minuto, enquanto a potência total chega em 3.750 rpm.
Nesta faixa, a maior parte das retomadas pode ser feita sem precisar reduzir marchas.
A suavidade é outro ponto que merece destaque. A 120 km/h, em sexta marcha, o conta-giros registra pouco mais de 2.000 rpm. Na cidade, o motor diesel é um pouco mais “vibrante” do que similares movidos a gasolina, mas isso é uma característica comum deste tipo de propulsor.
Familiar aos brasileiros
Fiat 500X
André Paixão/G1
Quem já andou em qualquer carro da Fiat sabe que o acerto de suspensão é quase sempre voltado para o conforto. Essa marca também está presente no 500X. Mas o SUV compacto não chega a ser “molenga” em demasia, e tem bom comportamento em curvas.
Ao volante, esta é a grande diferença do 500X para o Renegade, que tem um acerto um pouco mais firme. A posição de dirigir também é um pouco mais alta no utilitário da Fiat.
Nas ruas espanholas, os poucos buracos foram filtrados sem maiores dificuldades. A direção macia facilita as manobras e balizas em vagas apertadas – fato corriqueiro na Europa.
Espaço interno do Fiat 500X
André Paixão/G1
Como compartilha plataforma com o Renegade, seu espaço interno não é muito diferente do “primo”.
A principal diferença entre eles é a altura – 1,60 m no 500X e 1,66 m no Renegade. Fora isso, comprimento, largura e entre-eixos são bem parecidos.
Os centímetros a menos na altura se traduzem em menor sensação de amplitude da cabine – a coluna A do Renegade é mais vertical, além de o Jeep ter área envidraçada maior.
Mas não se preocupe, o 500X está longe de aterrorizar quem sofre de claustrofobia.
Falando em compartimentos apertados, o porta-malas de 350 litros é um dos pontos fracos. Ainda que seja 30 litros maior do que o Jeep, ele fica abaixo de Honda HR-V, Hyundai Creta e Nissan Kicks, por exemplo – todos com volume próximo de 430 litros.
Porta-malas do Fiat 500X tem 350 litros
André Paixão/G1
Te conheço?
O parentesco de Jeep e Fiat fica evidente olhando atentamente o interior dos dois modelos. Eles compartilham uma série de peças de acabamento, como chave de seta, comandos dos vidros, computador de bordo e teclas do volante.
E o que não é compartilhado tem um estilo bastante característico. É o caso das maçanetas “descoladas” e da parte central do painel, que recebe material plástico na cor da carroceria.
Aliás, a ousadia estilística é coisa cada vez mais rara neste segmento, onde os tons sóbrios de cinza e preto e o plástico duro predominam.
Não que o 500X exiba um acabamento de Mercedes Classe S, mas o material é superior ao dos SUVs compactos mais vendidos do Brasil.
Conclusão
Fiat 500X
André Paixão/G1
A fama da Fiat entre veículos de maior valor agregado não é das melhores. Produtos e estratégias equivocadas nas últimas décadas acabaram arranhando a imagem dos italianos entre consumidores mais abonados.
Para reverter este quadro, nada melhor do que um produto bem acertado. É aí que entra o 500X.
O SUV compacto é o carro certo para atrair um público crescente e ávido por carros este tipo. Ele parece mais refinado do que os modelos mais consagrados do país.
A principal questão é saber se o tempo certo não seria alguns anos atrás, com produção nacional, em vez de ensaiar uma chegada importada em 2019.
Detalhe da lanterna do Fiat 500X
André Paixão/G1
Fiat 500X
André Paixão/G1