Festival reúne Mallu Magalhães, Liniker, Chico César e outros em lives para ajudar profissionais da música


Festivais independentes fizeram curadoria de evento que vai doar para roadies, técnicos e produtores locais. Organizadores comentam produção online. Mallu Magalhães, Liniker e os Caramelows e Chico César são atrações do festival Tropical ao Vivo
Marcelo Brandt/G1, Diego Baravelli/G1, José de Holanda/Divulgação
O evento Devassa Tropical Ao Vivo reúne oito festivais independentes de música, que apresentam 34 atrações em quatro dias de lives, a partir desta quinta-feira (30).
Os festivais Se Rasgum (Belém), Do Sol (Natal), Radioca (Salvador), Guaiamum Treloso Rural (Recife), Bananada (Goiânia), We Hoo (Recife), Sarará (Belo Horizonte) e Carambola (Maceió) participaram da curadoria dos artistas que cantam de suas casas.
Estão programados oito shows por dia em lives que começam às 17h no YouTube. Mallu Magalhães e Lia de Itamaracá estão entre os destaques desta quinta. Veja abaixo programação completa por dia.
A iniciativa usa o nome “O Festival dos Festivais” por unir forças de eventos fortes locais no momento em que a música, assim como outros setores do entretenimento, passa por dificuldades.
As doações feitas durante as lives serão destinadas a profissionais da música e do setor de eventos, como técnicos, roadies e produtores da cena da música independente, que não estão trabalhando já que os eventos foram adiados ou cancelados por tempo indeterminado.
LISTA: Shows, filmes e festivais cancelados por conta da pandemia
Os próprios festivais vão destinar parte dos cachês que receberam do projeto para profissionais locais.
“É bem preocupante que esse pessoal da cadeia produtiva da música, os profissionais da música, não só os artistas, sejam apoiados”, afirma Lili Buarque, uma das organizadoras do festival Carambola de Maceió.
“Esse pessoal mesmo da ponta da cadeia não tem como sobreviver, então o foco, o objetivo dessa ação é pela sobrevivência mesmo desses profissionais”, continua.
Na versão digital, o festival Carambola acontece no sábado (2) com Zeca Baleiro, Chico César, Ana Cañas, Wado e Mopho. O evento presencial deveria ter acontecido em março, mas foi adiado e não há nova data prevista.
Curadoria especial
O número de pessoas necessárias para realizar a apresentação foi uma das preocupações de Marcelo Damaso, um dos organizadores do Se Rasgum, na hora de escalar seus quatro artistas.
“Pensamos em artistas que conseguiriam fazer sozinhos um show legal, que prendessem a atenção das pessoas durante a live'”, explica Damaso. “Até porque não dá para colocar uma banda grande, seria imprudente reunir tanta gente”.
Jards Macalé, Keila, Larissa Luz, André Abujamra e Marisa Brito cantam pelo festival de Belém no sábado (2).
Jards Macalé é uma das atrações do festival Se Rasgum no sábado (2), show faz parte do festival Devassa Tropical Ao Vivo
José de Holanda / Divulgação
Já Felipe Cabral, do Guaiamum Treloso Rural, escolheu um line-up inteiramente pernambucano com Mestre Anderson Miguel, Tagore, Lia de Itamaracá com DJ Dolores e Svenchenko e Elloco para fortalecer a cena local.
O festival recebeu 8.700 pessoas no ano passado, mas a expectativa é que a live tenha um público em torno de 30 mil pessoas. A audiência esperada é semelhante a outras transmissões com artistas independentes e bem diferente dos milhões de visualizações alcançadas pelos sertanejos.
Produção à distância
De acordo com os organizadores, a iniciativa foi bem coordenada entre os líderes do festival e o parceiros que vão viabilizá-la. A marca de cerveja já patrocinava todos os festivais independentes antes da ação online.
Cenários, posição da câmera e até conexão de internet foram discutidas em reuniões. “Foi verificado qual é a capacidade da conexão da internet de todos os artistas e alguns precisaram fazer um upgrade para poder a gente garantir uma boa qualidade de áudio e de vídeo”, afirma Lili, do Carambola.
Acostumados a ter que lidar com situações inesperadas quando seus eventos acontecem ao vivo, eles dizem estar se adaptando a esse formato digital em que não têm muito controle do “ao vivo”.
“Eu não sei o que pode dar errado”, afirma Damaso, que já tem as autorizações do YouTube para fazer a transmissão.
“Apesar de que os riscos são menores, né? Uma chuva não acaba com o teu evento, por exemplo, na verdade, deixa mais legal. Exceto para os artistas que vão fazer sua live na parte de fora da casa”.
O debate sobre a bebedeira de sertanejos em lives
Jards Macalé seria um dos prejudicados, já que pretende fazer a transmissão do jardim do sítio em que está passando a quarentena. A cantora paraense Keila também que pretende fazer a live da laje de sua casa.
A laje também era o cenário escolhido pela dupla de brega funk Shevchenko e Elloco, atração do festival Guaiamum Treloso Rural.
“Eles queriam fazer, mas parece que o sinal não chegou lá”, explica Cabral. A locação deve passar para um bar fechado em Recife.
Falta de perspectiva
Marcado inicialmente para maio, o Guaiamum Treloso Rural foi adiado para setembro, mas o organizador já não acredita na realização do evento na nova data.
“A gente já tem um plano B, que é fazer ainda neste ano em novembro, mas se não der certo vamos com duas edições em 2021”, explica.
“Acho que tudo só volta ao normal quando tiver uma vacina. Antes disso, aglomerar pessoas em um espaço vai ser difícil”, afirma Cabral. A opinião também é compartilhada pelos colegas organizadores.
Normalmente realizado em novembro, o Se Rasgum ainda não teve sua programação alterada.
“São sete meses até lá, mas como as coisas andam muito descontroladas ainda, eu não consigo ver como conseguir colocar um festival de pé até novembro”, afirma Damaso. “Saberia dizer aqui a um dois meses, porque tudo muda, todo dia”.
Damaso já se acostumou com a rotina de acompanhar lives neste período, mas sabe da falta que os eventos fazem para o público.
“As pessoas vão ficar realmente com muita saudade de tomar uma cerveja na frente do palco, até de se incomodar de pegar fila no banheiro”, tenta rir neste momento difícil.
Veja programação completa:
30 de abril (quinta-feira)
Festival Radioca (Salvador/BA)
17h05 – Josyara
17h50 – Mallu Magalhães
18h35 – Teago Oliveira
19h20 – Anelis Assumpção + Curumin
Festival Guaiamum Treloso Rural (Recife/PE)
20h05 – Mestre Anderson Miguel
20h50 – Tagore
21h35 – Lia de Itamaracá + DJ Dolores
22h20 – Shevchenko e Elloco
1º de maio (sexta-feira)
We Hoo (Recife/PE)
17h05 – Flaira Ferro + Biarritz
17h50 – Francisco El Hombre + Luê
18h35 – Convidado Surpresa
19h20 – Marcelo Falcão
Do Sol (Natal/RN)
20h05 – Plutão Já Foi Planeta
20h50 – Luísa e os Alquimistas
21h35 – Potyguara Bardo
22h20 – Heavy Baile
02 de maio (sábado)
Festival Carambola (Maceió/AL)
17h05 – Zeca Baleiro
17h50 – Ana Cañas
18h35 – Wado e Mopho
19h20 – Chico César
Se Rasgum (Belém/PA)
20h05 – André Abujamra
20h50 – Jards Macalé
21h35 – Keila
22h20 – Larissa Luz
23h – After Tropical com Tropkillaz
03 de maio (domingo)
Festival Sarará (Belo Horizonte/MG)
17h05 – Mariana Cavanellas
17h50 – Luccas Carlos
18h35 – Luedji Luna
19h20 – Rael
Bananada (Goiânia/GO)
20h05 – Felipe Cordeiro
20h50 – Boogarins
21h35 – Tulipa Ruiz
22h20 – Liniker e os Caramelows
23h – After Tropical: Baile Tropical com Patricktor4