Festival de Cannes diz que pode adotar novas ‘formas’ para edição de 2020, afetada pela Covid-19


Realizado anualmente em maio, evento atrai 200 mil especadores. Presidente francês disse que festivais não acontecerão ‘pelo menos até julho’ por causa da pandemia. Preparativos do Festival de Cannes, na edição de 2019
Stephane Mahe/Reuters
O Festival de Cinema de Cannes pode adotar novas “formas” para sua edição de 2020, dada a possibilidade de não ser realizada no final de junho ou no início de julho por causa do coronavírus, anunciaram nesta terça-feira (14) os organizadores do evento.
A notícia veio após o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciar na noite de segunda (13) que os principais festivais e eventos não acontecerão “pelo menos até meados de julho” por causa da pandemia.
“Agora parece difícil pensar que o Festival de Cannes possa ser organizado este ano em seu formato inicial”, afirmaram os responsáveis pelo festival através de um comunicado.
“No entanto, iniciamos várias consultas no mundo profissional na França e no exterior. Elas concordam com o fato de que o Festival de Cannes […] deve continuar estudando todas as possibilidades que lhe permitem acompanhar o ano de cinema com os filmes em Cannes de uma forma ou de outra”, acrescentaram.
Realizado anualmente em maio, o festival atrai 40 mil profissionais e cerca de 200 mil especadores.
Para a 73ª edição do evento, o diretor americano Spike Lee foi escolhido como presidente do júri.
O diretor Spike Lee no tapete vermelho do Oscar 2019
Frazer Harrison/Getty Images North America/AFP
‘De uma forma ou de outra’
“Os filmes feitos com a intenção de ir a Cannes, já que muitos são feitos e estão em conformidade com o calendário do festival, precisam de uma caixa de ressonância”, disse recentemente à agência France Presse Richard Patry, presidente dos gestores de salas de cinema da França.
Organizar o festival “de uma forma ou de outra […] seria uma forma de fazer renascer o mundo do cinema”, acrescentou Patry, membro do conselho de administração de Cannes.
Muitos filmes que seriam lançados no segundo trimestre deste ano foram adiados, como o próximo James Boond e outros sucessos de bilheteria, como “Top Gun 2”, “Mulan” ou “Mulher Maravilha 1984”.
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O festival francês já foi cancelado ou interrompido no passado, mas nunca adiado.
O caso mais conhecido foi o da edição de maio de 1968, interrompida por uma revolta dos cineastas, com Jean-Luc Godard e François Truffaut no comando, em apoio ao movimento estudantil e trabalhista da época.