‘Far Cry 6’ oferece vilão complexo em mundo aberto gigante, rico e um pouco repetitivo; g1 jogou


Novo capítulo da série de games exagerados de tiro em primeira pessoa expande características responsáveis pelo sucesso, mas não traz grandes novidades. “Far Cry 6” é tudo o que se espera de um novo capítulo da franquia de games exagerados de tiro em primeira pessoa da Ubisoft. E isso funciona tanto para coisas boas quanto para aquelas não tão legais.
O jogo – que vai ser lançado para Xbox Series X e S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4, Stadia e computadores nesta quinta-feira (7) – expande os fundamentos responsáveis pelo sucesso da série:
Um mundo aberto gigantesco e rico;
um vilão instigante interpretado por Giancarlo Esposito (o Gus Fring, de “Breaking Bad”);
alternativas para jogadores encararem a campanha com a maior liberdade possível;
e uma narrativa com a mistura absurda de violência brutal e humor pastelão, que invariavelmente resulta em um tom perturbadoramente instável.
Infelizmente, uma atenção tão grande a fundamentos que se destacam nos games da franquia – e praticamente em todo o gênero, em sua maioria – desde “Far Cry 3” tem seu preço.
Faltam novidades que tragam frescor, como aconteceu com o jogo de 2012, e muitas vezes os desafios se limitam a variações repetidas de missões anteriores.
Assista ao trailer de ‘Far Cry 6’
O grande ditador
Em “Far Cry 6”, o jogador assume o controle de Dani Rojas (sim, bizarramente com o mesmo nome de um dos personagens de “Ted Lasso”), um jovem – ou uma jovem, já que é possível escolher o gênero do protagonista – doido para fugir de sua ilha natal.
Inspirada fortemente por Cuba, Yara é uma nação caribenha congelada no tempo por um embargo internacional e que sofre há anos nas mãos de uma família de ditadores, os Castillo.
Depois de uma tentativa de fuga desastrada, o jogador se vê atraído por um grupo de revolucionários com o plano de derrubar o atual “presidente”, Antón, e impedir seu plano de usar o povo como escravos no plantio de uma erva que promete ser um tratamento milagroso contra o câncer.
A trama focada em um vilão carismático e magnético é o primeiro grande indicador de que se trata, de fato, de um “Far Cry”. Esposito, famoso por antagonistas icônicos como Gus Fring e Moff Gideon (“The Mandalorian”), entrega a já esperada atuação que eleva o personagem.
Com métodos pouco ortodoxos de como educar o filho, Diego, para que um dia ele cresça e dê continuidade a seu sonho, Antón se torna rapidamente um dos mais memoráveis vilões da franquia.
Antón Castillo, interpretado por Giancarlo Esposito, é o vilão de ‘Far Cry 6’
Divulgação
Poderes supremos
Em contraste à crueldade do ditador, que não tem problemas em sacrificar seu povo para atingir seu objetivo, está o tom próximo ao pastelão com que o game lida com a violência.
Uma das grandes amostras do gênero cômico e exagerado está na principal novidade apresentada em “Far Cry 6”. Maior representante da ideia de armas improvisadas pelos guerrilheiros, as mochilas batizadas de “Supremos” dão ao jogador poderes tecnologicamente mágicos, como uma saraivada de mísseis ou um pulso eletromagnético.
Recarregadas pelo tempo, e pela morte de inimigos, elas ajudam a ditar o tom de uma realidade que definitivamente não se leva muito a sério.
Armas improvisadas estão na base de ‘Far Cry 6’
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Principalmente se somadas aos “amigos”, animais domados que vão de crocodilos com roupinhas fofas a um pequeno cão salsicha cadeirante que acompanham e recebem ordens do herói.
O desequilíbrio entre análise social sobre dramas de zonas de conflito e elementos absurdos são marca da série há anos – mas nem por isso causam menos estranheza.
Em especial, a instabilidade reforça problemas com usos de estereótipos dos povos retratados em cada capítulo da franquia.
Dessa vez, não deixa de ser esquisito ver caribenhos flutuando do espanhol ao inglês, com gírias deslocadas e revolucionários beberrões.
Chorizo é o irresistível pequeno salsicha que acompanha Dani Rojas em ‘Far Cry 6′
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Faça do seu jeito
Superada a estranheza, o game oferece mais uma vez toda a liberdade para que o jogador enfrente os desafios da maneira que achar melhor, e rapidamente apresenta armas para os mais variados estilos.
Com um bom inventário à disposição em qualquer lugar, até mesmo aqueles que favorecem um modo mais furtivo podem jogar a cautela pro ar e se deliciar com um combate direto, explodindo soldados inimigos ou até mandando que Guapo, o crocodilo, faça pedaços deles.
A grande vantagem de um mundo que não se leva muito a sério.
A ilha gigantesca, o maior território apresentado na franquia, favorece essa liberdade, principalmente com a eliminação das irritantes torres de controle já em “Far Cry 5’.
Apesar de enorme, Yara parece de verdade um local vivo, com uma sociedade contida, reflexo da mão de ferro do ditador, mas ainda assim dinâmica. Vale perder um bom tempo explorando cada gruta, montanha ou atividade escondida pela ilha, evitando as opções das viagens rápidas.
Por outro lado, os detalhes apresentados no ambiente deixam um pouco a desejar nos objetivos, que em sua maioria variam entre “invada lugar X”, “mate o coronel Y” ou “destrua/recupere o item Z”.
Com uma campanha tão grande, é inevitável que em algum tempo as missões comecem a parecer repetitivas. As mudanças de cenários ajudam, e adversários com pontos fracos distintos também tornam as coisas mais dinâmicas, mas a sensação apenas se intensifica.
“Far Cry 6” é definitivamente uma boa adição a uma franquia que busca repetir a repercussão de seu terceiro lançamento. Talvez precise se inspirar na própria trama e revolucionar um pouco seu processo. Mas, pelo menos para quem é fã da série, Yara merece uma visita.