Família contesta versão da PM em morte de suspeito de roubo em Macapá


William Natividade morreu durante ação policial nesta quinta-feira (22). PM afirma que ele resistiu à prisão e esboçou reação contra policiais, quando levou um tiro. Homem morre durante ação policial em Macapá; família contesta versão da PM
A família contestou a informação de que William Natividade Silveira, de 27 anos, teria reagido a uma ação da Polícia Militar (PM) na manhã desta quinta-feira (22), na Zona Sul de Macapá, que resultou na morte dele. William é suspeito de diversos roubos na região. A PM afirma que ele resistiu à prisão e esboçou reação contra os policiais, quando levou um tiro.
“Levaram ele pra dentro da casa, lá executaram ele. E os PMs [diziam que] ‘tava com arma’, e ele não tava com nada. Só se eles colocaram arma nele, mas ele não tava com arma [sic]”, afirmou a mãe do suspeito, Maria Natividade.
Maria Natividade, mãe de William, suspeito de roubo que morreu durante ação policial
Reprodução/Rede Amazônica
Um vídeo mostra o momento em que William é detido e imobilizado pelos policiais e, em seguida, é levado para dentro da casa com as mãos para trás. Em outro vídeo, um dos policiais envolvidos na ação aparece manuseando uma arma, no momento que seria após a morte de William. Ao todo, três militares estavam na residência.
A ocorrência foi na Rua Carlos Drummond de Andrade, no bairro Congós, em uma área de periferia, sobre uma região alagada, na casa onde Wilian morava e morreu com, pelo menos, um disparo no peito (veja o vídeo a seguir).
Homem morre em suposta troca de tiros com a PM; Vídeo mostra suspeito ainda vivo
O Jornal do Amapá – 2ª Edição mostrou o local onde ocorreu a ação policial, na parte de trás da casa e na cozinha. Marcas de sangue também estavam na residência. No local estavam ainda as roupas no varal e as bicicletas que aparecem no vídeo obtido pela Rede Amazônica.
A PM afirma que a guarnição foi até a casa atender uma denúncia de que um homem estava disparando tiros na noite de quarta-feira, durante uma briga entre gangues, que, segundo a polícia, William estava envolvido.
“No momento que eles [PMs] estavam conduzindo ele, segundo os policiais, ele esboçou uma reação, tentando contra a vida dos policiais e foi necessário que eles revidassem a injusta agressão com um disparo de arma de fogo, segundo os policiais, dentro da residência eles efetuaram apenas um disparo para cessar a tentativa dele contra a equipe”, falou o assessor de comunicação da PM, capitão Alex Sandro Chaves.
Capitão Alex Sandro Chaves, da Divisão de Comunicação da PM
Reprodução/Rede Amazônica
Segundo os familiares do suspeito, foram ouvidos dois disparos. A namorada dele, que não quis ser identificada, contou que estava na casa, com duas crianças, e acordou com os policiais já entrando na residência. Ela afirma que William estava dormindo sobre uma cama e saiu pela parte de trás da casa.
“Os policiais arrombaram a porta da frente, entraram, e o policial empurrou a porta do quarto dos meus filhos e apontou a arma pra gente. Eu falei pra ele, ‘aqui é criança, são meus filhos’. Aí ele falou ‘Sai agora daqui porque ele tá armado’. Eu disse ‘Ele não tem arma’. Ele tava dormindo. […] Meus filhos saíram na frente e ele saiu me empurrando atrás, não quis deixar eu ficar aqui dentro da casa, me expulsou, saiu me jogando pra fora da casa pra eu não ver o que eles iam fazer com ele aqui dentro. Eles usaram de covardia com ele [sic]”, disse.
Caso ocorreu em área de periferia de Macapá, em região alagada no bairro Congós
Carlos Alberto Jr/G1
Um vizinho do local onde ocorreu a ação policial também não quis ser identificado, mas contou o que testemunhou.
“Vi quando eles estavam dentro da casa já. Só escutei quando ele falou mesmo assim: ‘Por favor, não me mata’. Aí eu escutei já o primeiro tiro. Um policial saiu lá de dentro da casa, saiu correndo, depois já ouvi o segundo tiro. Aí eu não escutei mais nada dele. Eu até falei pra minha irmã ‘mataram ele, mana’ [sic]”, descreveu.
Uma investigação será aberta pela Corregedoria da PM, para apurar se houve alguma falha policial. O caso também deve ser investigado pela Polícia Civil.
Vídeo mostra suspeito de roubos ainda vivo, sendo detido pela polícia atrás da casa
Reprodução
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